Copagril – Sou agro com orgulho
Editorial

No limbo

A Venezuela está falida, enfrentando um colapso social sem precedentes nos últimos anos na América Latina. Não há alimentos para comprar, o salário-mínimo de um mês de trabalho não é suficiente para adquirir nem dois quilos de carne, a inflação é a mais alta do mundo, na casa de 1.000.00%, os remédios estão escassos, a ditadura de Nicolás Maduro não oferece as condições básicas de sobrevivência naquele país. Com medo e fome, as pessoas estão deixando o país, emigrando para seus vizinhos, como Bolívia, Peru e Brasil.

Em Roraima, Estado brasileiro que faz fronteira com a Venezuela, cerca de 500 pessoas pedem visto para ingressar no Brasil todos os dias. No último fim de semana, moradores de uma pequena cidade fronteiriça se revoltaram com a presença dos vizinhos nas ruas do paupérrimo município, creditaram a alguns deles uma agressão e roubo a um comerciante, e protagonizaram cenas de extrema violência, ignorância e desumanidade. Muitos venezuelanos foram agredidos, tiveram seus poucos pertences queimados e foram escorraçados do Brasil. A xenofobia em sua plenitude.

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Para as dificuldades, não há fronteiras. Tirando toda a casca composta por crenças, valores, cor da pele, religiosidade ou origem de nascimento, todos são pura e simplesmente seres humanos. Aliás, venezuelanos são seres humanos que têm experimentado vivências aterrorizantes nos últimos anos, que deveriam ser amparados e respeitados por pessoas que são. Mas estão sendo jogados de um lado a outro, como se vizinhos não tivessem responsabilidades compartilhadas. Ninguém consegue viver sozinho, nem mesmo conseguiram as mais potentes civilizações que surgiram na história.

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Esse povo está no limbo, sem esperança, sem segurança, vivendo como maltrapilhos nas ruas de Roraima. Alguns, com sorte e apoio, conseguem emprego por ali mesmo, outros migram para as regiões mais populosas e que ofertam mais oportunidades de trabalho, mas outros tantos vivem na desilusão, sem saber para onde ir e como será o dia de amanhã.

Ontem (20), o Estado de Roraima pediu ao Supremo Tribunal Federal que feche a fronteira para estancar a imigração para o Brasil. A negativa dos ministros veio de imediato, condenando a medida e a classificando como “impensável” e “ilegal”. Fechar os olhos para quem mais está precisando não é mesmo uma atitude coerente e humana. É uma falta de amor ao próximo que choca pela insensibilidade e pelo desprezo a tantas pessoas.

Maduro lançou um novo plano econômico, que tirou cinco zeros da moeda para tentar conter a inflação estratosférica que ele mesmo fez surgir. Mas pessoas como Maduro não podem ditar os rumos das vidas das pessoas que formam uma nação. É preciso reestabelecer a ordem na Venezuela e acabar com essa guerra de um governo contra seu povo, sem esquecer que é preciso curar a dor e dar suporte aos refugiados. Um dia – e quem Deus vos livre -, pode ser você batendo na porta do vizinho.

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