Arno Kunzler

No mínimo, discutível…

Nos últimos tempos, muitas propostas com sugestões de mudanças vêm ocorrendo sobre questões políticas do Brasil. Algumas delas chamam atenção pela convicção dos que as defendem, nem sempre embasados em conhecimentos técnicos ou políticos.
Mudanças são necessárias, o que não é neces-sário é fazer maquiagens que não resultam, na prática, em mudança alguma.
Fala-se muito sobre o problema da coincidência das eleições. Que é impossível ter eleições de dois em dois anos e conseguir resultados efetivos nos governos que dependem uns dos outros.
Assim, quando o processo eleitoral acontece nas prefeituras, estamos no meio dos mandatos de governadores e presidente, e vice-versa.
E que assim teremos um ano de trabalho efetivo, sincronizado entre os três níveis de governo, e outro para fazer campanha eleitoral.
Que de quatro anos, dois são perdidos por causa das campanhas eleitorais.
É verdade, sob a ótica do processo eleitoral atual, eleição de dois em dois anos é ruim. Mas se olharmos com olhos mais críticos, veremos logo que o problema não está no tempo da eleição, dois em dois anos, e sim na duração dos mandatos e na falta de coincidência para o Executivo.
Certamente se aprovarmos ingenuamente eleições de quatro em quatro anos, teremos um ano para eleição, dois para acomodação e um para governar.
Logo, o resultado daquilo que a sociedade espera pode piorar.
O que precisamos discutir e, se possível acabar, é a REELEIÇÃO.
REELEIÇÃO para prefeitos, governadores, presidente, senadores, deputados e vereadores.
Esse é o x da questão e não o tempo de duração dos mandatos e nem a eleição em dois e dois anos.
Um prefeito, governador e presidente poderia ser tranquilamente eleito para seis anos, desde que de dois em dois anos um terço do Legislativo fosse renovado.
Assim sim teríamos renovação, teríamos mudanças durante o mandato do prefeito, caso ele esteja em desacordo com a opinião das pessoas e teremos eleições suficientes para exercitar isso que é a essência da democracia, o voto, a escolha, a mudança.
Mandatos de seis anos sem direito à reeleição em nenhum caso seria a solução para a ampla maioria dos problemas políticos que vivemos hoje.
O resto é remendo, é boa intenção.
Mudar significa ousar, significa romper com tradição, com costumes, com condutas que efetivamente não são mais adequadas para o nosso processo político.
Se queremos mudar, vamos mergulhar mais profundamente nessa discussão. Caso contrário, vamos apenas remediar.
E isso estamos fazendo há muito tempo, alguns expertamente, outros apoiando ingenuamente.

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