Copagril
Editorial

Nosso? De quem?

O governo de Michel Temer vai ter que redefinir a política de preços também da gasolina. O preço do diesel caiu nas bombas depois da greve dos caminhoneiros, mas os reajustes já aparecem com mais incidência na bomba ao lado, a de gasolina. Em Marechal Cândido Rondon, os postos já estão cobrando quase R$ 5 pelo litro do precioso combustível. Encher o tanque é quase ostentação. E o pior: vai piorar. Os reajustes diários estão tornando a vida dos motoristas uma grande lamúria. A cada nova abastecida, novos preços, novas altas.

Com pouco líquido nas bombas, ainda por conta da greve, os aumentos são ainda mais acentuados. A tal da lei da oferta e da procura. Quanto menos tem, mais caro fica. E o consumidor paga essa bomba, outra vez.

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O governo não tem que ser o dono do petróleo brasileiro. Privatizar a Petrobras ou mesmo abrir mercado para novas empresas de extração e beneficiamento do petróleo atuarem no Brasil é salutar e indispensável. A concorrência, inevitável e invariavelmente leva a preços melhores ao consumidor. Quando tudo está centralizado fica mais fácil definir o que é, quem faz, quanto vão pagar e quanto vai receber. Fica mais fácil ditar regras. A mão do mercado não atinge a gasolina, o etanol, o óleo diesel.

É assim também com as loterias, mas isso é assunto para outro momento. Jogos de azar são proibidos no Brasil, mas não se você os fizer com a Caixa Econômica Federal. Enfim…

Com o petróleo nas mãos, e os cofres engordando com a alta carga tributária sobre os combustíveis de maneira geral e seus aumentos insistentes, o governo faz e desfaz ao povo brasileiro, controlando um setor de suma importância para todas as outras atividades desenvolvidas nesse país, seja na indústria, no comércio, no setor de serviços, nas propriedades rurais, nas escolas, nos asilos.

Sendo tão importante insumo básico para o funcionamento de uma sociedade, especialmente àquelas que usam as estradas como principal modal de transporte, como é o caso do Brasil, sua estatização é nociva ao brasileiro. Aliás, entre as maiores estatais brasileiras não há uma sequer imune a escândalos de corrupção, cheias de empregos garantidos pelos políticos, que, no fim das contas, são os que dirigem essas empresas. E neles o brasileiro definitivamente não confia.

A livre concorrência é um anseio hoje partilhado por muitos brasileiros para o setor petroquímico. Ela pode balancear o mercado, equalizar preços mais para baixo, a favor do consumidor. Além de bom para o consumidor, iria estimular a atividade econômica, a geração de empregos no país e o desenvolvimento social. Exemplos de como isso funciona bem existem por todo o mundo.

Mas isso ainda parece estar longe de acontecer, para a alegria geral de muita gente que ainda prefere segurar a “estrela brasileira” só para dizer que o petróleo é nosso. Nosso? De quem? Enquanto a Petrobras se manter estatal, vai tirar do óleo e colocar na gasolina e vice-versa, seja todos os dias, todos os meses ou sempre que lhe convier.

 

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