Editorial

Novos modais, novos riscos

A morte de um homem após cair de um patinete elétrico no fim de semana reabre o debate sobre a necessidade de uma regulamentação para esse novo modelo de transporte. Nas grandes cidades, os patinetes compartilhados já fazem um grande sucesso, assim como um grande número de vítimas. Afinal, a novidade ainda exige bastante habilidade para o modal que é relativamente novo para a população, que ainda não está, por assim dizer, muito familiarizada.

Os veículos elétricos, incluindo patinetes, bicicletas e os carros, vieram para ficar. Menos ruído, menos poluição, mais agilidade. Mas tudo tem um preço. Os acidentes vão continuar a acontecer. A grande preocupação é que em um carro a pessoa está “presa” a um cinto de segurança, “entre quatro paredes”, ao contrário de bicicletas e patinetes, onde o condutor tem poucos ou nenhum equipamento de segurança em caso de quedas ou colisões.

Casa do Eletricista – TORNEIRAS ELÉTRICAS

Em Marechal Cândido Rondon, quem veio primeiro foram as bikes. Nos últimos anos, elas se multiplicaram vultuosamente. Elas estão às centenas circulando pelas ruas da cidade, dividindo o trânsito com motos, carros, caminhões e pedestres.

Nos últimos meses, as bikes ganharam a companhia dos patinetes, dos mais variados. Tem para conduzir em pé, sentado, com pneus pequenos, largos e até para duas pessoas. Eles já não são mais tão incomuns assim.

Mas se por um lado esse tipo de transporte pode significar um modelo mais eficiente, sustentável e moderno de locomoção, contribuindo para um futuro melhor para o planeta, por outro ele gera riscos iminentes. Tem motorista que gela o coração ao ver aquela bike cruzar a rua, sem a devida atenção de seu condutor. São inúmeros os exemplos receosos que muita gente já passou ao se deparar com os elétricos.

O problema é que não há uma legislação específica para o setor. Nem mesmo orientações básicas são informadas para os atores do trânsito – todos eles. Com a popularização dos patinetes elétricos, esse modelo vai inchar as ciclovias, calçadas e “os ladinhos” das ruas e avenidas. Se os modelos de transporte estão mudando, mesmo que timidamente e para uma pequena parcela, as leis que regem o trânsito precisam mudar para o bem de todos os usuários. É melhor se antecipar a problemas do que remediá-los depois que tragédias como a de Belo Horizonte voltem a se repetir.

Essa é uma boa hora para Marechal Cândido Rondon debater sobre o tema, criar mecanismos – sejam leis ou orientações – para garantir que essas novidades venham para gerar mais bem-estar e sustentabilidade, sem colocar em risco a vida e a integridade das pessoas. Especialmente porque aqui o momento dos patinetes e bikes elétricas é bastante vultuoso e sequer se sabe com alguma precisão quantos desses equipamentos hoje rodam pelas ruas da cidade.

Profissionais de segurança no trânsito, agentes fiscalizadores, revendedores, instituições da sociedade civil e autoridades públicas precisam prestar atenção para esse novo momento, com a mobilidade se transformando embaixo de vossos olhos. Quanto antes entender e agir, maiores as chances de acertar.

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