Editorial

Nunca se precisou tanto do jornalismo

A crucificação que a classe de jornalistas e os meios de comunicação de todo o Brasil estão sendo expostos nos últimos meses é assustadora. Neste fim de semana, profissionais foram agredidos fisicamente enquanto trabalhavam. No dia a dia, repórteres são submetidos a situações vexatórias por pessoas que eles nem conhecem. São alvos de gritos, xingamentos e de um constrangimento sem precedentes nessa profissão. Discursos de ódio são metralhados para todos os lados, ofendendo a honra e atacando a dignidade das pessoas que trabalham nas redações em todo o país.

Nas redes sociais, nos memes, nos vídeos, nos grupos de WhatsApp, por onde quer que se olhe há críticas, palavrões, acusações e desrespeito.

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Ninguém é obrigado a gostar desse ou daquele jornal, dessa ou daquela emissora de rádio ou TV. Ninguém é obrigado a acessar esse ou aquele site. Cada um consome a informação do jeito que bem entende.

Ninguém é obrigado a gostar de jornalistas.

O que é inadmissível é experimentar ataques criminosos, que atentam contra o exercício da profissão, contra os profissionais em exercício, mas especialmente contra a liberdade de imprensa. Os atos recorrentes ferem um princípio básico da democracia que é a liberdade de expressão. É assustador saber que a população (parte dela), que reconhecidamente sempre foi beneficiada com jornalismo ao longo da história, esteja se voltando contra a classe jornalística. Hoje colocam-se todos em um mesmo balaio, julgam e condenam.

Nunca se precisou tanto do jornalismo quanto a sociedade brasileira e mundial precisa hoje. Bem ou mal, gostando ou não, apoiando ou não, jornalistas são atores que hoje, mais do que informar, precisam desmentir e esclarecer. Boatos e mentiras surgem a cada segundo e cabe ao jornalismo combater a desinformação e as fake news.

Uma sociedade que se preze pode não compactuar com as notícias e opiniões que estão nas páginas dos jornais, na rádio, na telinha da TV ou dos smartphones, mas atacar indiscriminadamente jornalistas e meios de comunicação é lamentável e perigoso. Você pode não gostar desse ou daquele médico, desse ou daquele professor, mas sair falando aos quatro ventos que todo médico e todo professor são maus profissionais é crucial.

Uma sociedade livre tem como um de seus pilares uma imprensa livre.

Ninguém parece se importar com esses profissionais, que, aliás, não pararam de trabalhar com a pandemia. Continuaram a informar, expondo-se a riscos de saúde e infelizmente a riscos emocionais e contra a integridade física. Atrás das câmeras, microfones e computadores existem pessoas que amam e são amadas. Pense nisso antes de sair atacando essa classe tão importante e, infelizmente, tão menosprezada por parte da população brasileira.

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