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Dom João Carlos Seneme

O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas

O quarto domingo do tempo pascal é também chamado “Domingo do Bom Pastor” devido à leitura do Evangelho em que Jesus fala dos bons e maus pastores, apresentando-se como o Bom Pastor que veio reunir novamente o rebanho de Deus disperso, mediante o dom de sua própria vida.O papa Paulo VI decretou que nesse domingo (11) fosse celebrada, anualmente, a Jornada Mundial de Oração pelas Vocações Sacerdotais e à Vida Consagrada. Somos convidados a elevar todos juntos nossas preces ao Senhor, dono da colheita, por todos aqueles marcados e chamados a ser, em Cristo, bons pastores para seu povo, seja mediante o sacerdócio ministerial ou também mediante a vida religiosa consagrada. De modo especial, vamos rezar também para que os corações de nossos jovens se deixem encantar por Jesus para o seguirem de perto numa vida de entrega total na Igreja em favor do povo de Deus.O papa Francisco nos presenteou com uma mensagem a respeito desta data. Acompanhemos alguns trechos desta mensagem.“Narra o Evangelho que ‘Jesus percorria as cidades e as aldeias (…). Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe’ (Mt 9,35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que a ‘a messe é grande’. Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de ‘muito fruto’, deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15,5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. Muitas vezes rezamos estas palavras do Salmista: ‘O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós somos seus, nós somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho’ (Sal 100/99,3). Nós somos ‘domínio’ de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, ‘porque o seu amor é eterno!’ (Sal 136/135,1). Através da relação única e pessoal com Jesus, que o batismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O ‘com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças’ (Mc 12,33). Toda vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e cuidado, a obra saída das suas mãos, em cada momento da vida. Ele nunca nos abandona! Cuida pessoalmente da realização do seu projeto sobre nós, mas conta com a nossa adesão e a nossa colaboração.Também hoje Jesus vive e caminha conosco nas nossas realidades da vida ordinária, para se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Viver esta vocação significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cômodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja ‘boa terra’ a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que, com docilidade, soubemos acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica” (papa Francisco).Vamos rezar de modo especial pelos nossos sacerdotes, seminaristas, diácono, religiosos e religiosas da nossa diocese. Peçamos ao nosso padroeiro Cristo Rei fidelidade e perseverança.
* O autor é bispo da Diocese de Toledo
revistacristorei@diocesetoledo.org

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