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Editorial

O Brasil que não planeja

A falta de planejamento no Brasil é assustadora. As agências do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) ficaram seis meses fechadas e, às vésperas da reabertura, depois de sucessivos adiamentos, praticamente nenhuma tinha condições de segurança para a retomada dos trabalhos. Quem agendou perícia médica ficou na mão. Teve gente que viajou quilômetros, acordou de madrugada, encarou lotados e perigosos transportes públicos, chegou cedo na fila, faltou ao trabalho, e deu com a cara na porta.

Em muitos municípios brasileiros, as autoridades pediram para ficar em casa, para que as administrações públicas tivessem tempo para preparar leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para que todos pudessem receber o tratamento contra a Covid-19. Meses se passaram e em muitos casos as estruturas não foram suficientes ou nem mesmo foram entregues. O caos que tanto se falava em evitar acabou acontecendo em muitos lugares – assim como neste fim de semana em Toledo e Cascavel, que não tinham mais vagas em UTIs enquanto acumulam dezenas de pessoas à espera de um leito.

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Quando as aulas começaram a retornar gradualmente em algumas cidades e Estados, há alguns dias, percebeu-se que as escolas também não tinham seus protocolos de segurança consolidados, mesmo estando cinco meses fechadas.

E assim acontece em quase tudo no Brasil. Obras públicas são paralisadas por “imprevistos”, projetos mal desenvolvidos viram elefantes brancos e por aí vai. Planejar parece superficial por aqui. E, obviamente, sem planejamento lá na frente alguma coisa vai dar errado.

As experiências mais exitosas, seja na iniciativa pública ou na privada, mostram que planejar, saber para onde ir, como proceder, é tão ou mais importante do que a execução das atividades. Aliás, salvo exceções, nos bons projetos planejar demora mais do que executar.

Ninguém frequenta as filas do INSS porque quer. Lá estão trabalhadores, muitas vezes com problemas de saúde, que têm descontada todos os meses na sua folha salarial a sua obrigatória contribuição para o Instituto em troca de benefícios que são garantidos por lei. Mas, em contrapartida, ficam meses e meses em filas intermináveis, pipocando de um lado para outro, num cenário burocrático horripilante, sem saber o que fazer, se e quando serão atendidos. Com a pandemia, o que já era ruim conseguiu piorar.

Bom seria se tudo funcionasse perfeitamente como funcionam alguns órgãos, como a Receita Federal no Brasil. Na hora de cobrar, tudo funciona como uma perfeita engrenagem. E ai daquele que desrespeitar os prazos! Multa automática, sanções…

O que o Instituto Nacional de Seguridade Social está fazendo é uma tremenda falta de bom senso (para dizer o mínimo) com os trabalhadores que, mais do que nunca, precisam acessar seus direitos. Levaram seis meses para reabrir as agências e agora perceberam que não estão prontos. É muita falta de competência.

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