Copagril
Elio Migliorança

O BRILHO DOS OPACOS

Neste período o sentimento dos brasileiros é de raiva e euforia ao mesmo tempo. Concluímos a declaração do imposto de renda, cujo prazo encerrou em 29 de abril, mas muitos que gostam de deixar tudo para a última hora perderam o prazo e correm atrás do prejuízo para acertar as contas com um governo que a cada ano está abocanhando uma fatia maior do nosso suado dinheirinho. Sentimos raiva pelo muito que pagamos e pelo pouco que recebemos em troca. Há outros brasileiros que correm sério risco de perder tudo o que possuem por conta do furor do governo, que nos últimos dias de mandado da atual presidente editou decretos de homologação das demarcações de terras que a Funai considera áreas indígenas e o Ministério da Justiça publicou portarias declarando de posse permanente das tribos indígenas as referidas áreas demarcadas. Hoje a soma das áreas indígenas no Brasil representa 13% do território nacional, enquanto a área utilizada para a produção de grãos, que tem sido a salvação da balança comercial brasileira, representa apenas 8% do território nacional, absurda incoerência nacional.

Por outro lado, milhões de brasileiros estão eufóricos com a mudança de governo e com isso renasce a esperança de que o país possa iniciar um processo de recuperação econômica, ética e moral, valores que ficaram à beira do caminho nos últimos governos. Os mais sensatos e com olhar mais atento estão alertando que haverá uma mudança que não vai mudar nada; será uma nova equipe com as mesmas pessoas que gravitam ao redor dos governos dos últimos 20 anos. Esperamos que o senhor Michel Temer nos surpreenda e faça um governo para evitar que a euforia não se transforme rapidamente em frustração e raiva e nem que a esperança se transforme em decepção e sofrimento.

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Enquanto escrevia este artigo, fui interrompido por um salto dado por milhões de brasileiros que, estupefatos, não acreditam no que estão ouvindo. Um ato colocou nas mídias do país um cidadão até então um ilustre desconhecido que saiu da obscuridade para um brilho repentino. O senhor Valdir Maranhão resolveu assinar um documento anulando a votação da Câmara dos Deputados que aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma. É o brilho dos opacos. Opaco é aquilo que não tem luz, que não apresenta nenhuma luminosidade. Incompreensível, sem clareza ou precisão. O senhor Maranhão tem todas essas características e muitas outras. Nunca se ouviu falar de algo relevante feito por ele. Mas, de repente, por conta das falcatruas de Eduardo Cunha, que foi afastado do cargo, lá está ele assumindo interinamente o cargo de presidente da Câmara e, não tendo outra forma de aparecer, resolveu com uma canetada anular sozinho o que foi aprovado por 367 pessoas, numa votação que seguiu todo o rito legal estabelecido pela legislação em vigor.

Infelizmente, este e outros atos inconsequentes de muitos seres nada brilhantes que ocupam postos de comando acabam nos colocando nas manchetes da imprensa mundial, nas quais o Brasil é ridicularizado por conta de tais absurdos. Nós merecemos respeito e nada disso estaria acontecendo se a lei da ficha limpa fosse efetivamente aplicada, evitando que muitas “raposas felpudas” e “aves de rapina” fossem eleitas e ocupassem cargos estratégicos no comando do país. Eleitor, pense nisso.

 

 

Professor em Nova Santa Rosa

 

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