Copagril – Sou agro com orgulho
Dom João Carlos Seneme

O discípulo amado viu e acreditou

Na tradição bíblica, a Páscoa é a mãe de todas as festas; é aquela que dá origem e sentido às outras festas. O primeiro dia da semana define a fé e a novidade cristã porque é a Páscoa: festa primordial. Sem ela a Igreja não poderia existir. A Páscoa é a festa que liberta a humanidade da limitação para abri-la a um horizonte infinito de Deus. As leituras da vigília e do dia de Páscoa oferecem uma chave para compreender toda a história humana como uma história de libertação: do caos do início, das tiranias dos poderosos, do medo e das angústias que escravizam a humanidade da morte.

Jesus ressuscitou: é o primeiro dia da semana!

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No episódio do dia de Páscoa narrado por São João vemos os protagonistas: Maria Madalena, Pedro e o discípulo que Jesus amava. Os três personagens são colocados em confronto diante do paradoxo que percorre todo o dia (capítulo 20 do evangelho). O Ressuscitado está presente, mas o olhar humano não o vê. Para os três tudo é novidade: a pedra do sepulcro onde estava o corpo do Senhor foi removida, o sepulcro está vazio. Ele não está mais ali. Onde o colocaram? Eles não conseguem vê-lo ou ainda não podem reconhecê-lo.

É interessante notar que ao redor desta presença-ausência tudo é movimento. Maria vai ao sepulcro e depois corre até os discípulos; estes, por sua vez, correm na direção do sepulcro. O espaço é ocupado com idas e vindas de modo contínuo e dramático; eles buscam aquele que não está mais ali, porém está presente. Voltamos, então, ao início da narrativa: é muito cedo, o dia ainda está escuro. O tema se refere à cegueira humana. Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado não encontram uma resposta para o mistério. Somente no fim da narrativa o evangelista nos oferece uma chave:  o discípulo amado entra no sepulcro, vê e acredita! O discípulo não vê Jesus, mas somente os sinais da sepultura e da morte: os panos no chão e o sudário. Para os olhos de quem tem fé, esses símbolos de morte anunciam que a esperança surgiu precisamente naquele túmulo de morte.

Porque esta é a Páscoa: é o primeiro dia da semana na passagem lenta e imutável do tempo, a certeza de uma humanidade redimida apesar das negações da história, a certeza de que Deus encontrará o caminho para chegar aos túmulos construídos pela maldade humana. Pode parecer poesia, mas quem tem fé pode dizer que um dia Deus fez isso em sua vida. Temos a certeza de que a promessa de Deus não falha. Ele é sempre fiel.

Vivenciar a Páscoa é acolher o amor de Deus que está no meio de nós. O que devemos fazer é agir como o discípulo que Jesus amava: ele entrou, finalmente, no sepulcro, viu e acreditou. Ele soube entender que no sepulcro vazio havia uma manifestação de amor. “Quem me ama será amado por meu Pai; eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14). Pedro “entrou e viu” enquanto o discípulo amado “viu e acreditou”. Quem é o discípulo amado? Ele representa todos nós, quando, entre os escombros de nossa história pessoal e da humanidade, aprendemos a ver uma semente que nasce, uma esperança nova e acreditamos que este será o primeiro dia da semana e o primeiro dia nossas vidas, porque Ele ressuscitou e está vivo no meio de nós! Feliz e Santa Páscoa. Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia!

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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