Copagril
Dom João Carlos Seneme

O discípulo do Reino acolhe o convite do Pai

Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção do mundo em que vivemos. O desejo de Deus é que ele seja novo, marcado pela justiça e paz onde todos se reconheçam filhos e filhas do mesmo Pai. “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10). Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer “sim” a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e nos isentar do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus; um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção do Reino de Deus.

Estamos no 26º Domingo do Tempo Comum e o Evangelho de Mateus (21,28-32), com a parábola do pai e dos dois filhos, é provocativo, mas segue a mesma tendência dos últimos domingos. A intenção é mostrar que o Reino de Deus acontece num contexto de misericórdia, acentuando que os pecadores, no Reino de Deus, podem preceder muitos que se julgam merecedores da salvação. Jesus se dirige aos sumos sacerdotes e anciãos do templo, autoridades religiosas e políticas do seu tempo. Relata a parábola de um pai que se aproxima dos dois filhos e lhes pede para trabalhar na vinha. O primeiro responde não, mas depois repensa, arrepende-se e vai trabalhar. O segundo reage com docilidade ao pedido do pai, responde sim, mas não cumpre a promessa.

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O evangelista, na verdade, parece querer revelar que os dois irmãos representam o ser humano em situações de luzes e sombras. Como bem afirmou São Paulo: “Com efeito, não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero” (Carta aos Romanos 7,20). Como na parábola do filho pródigo, o que vai provocar a conversão é a ideia que se tem do Pai. Quando o filho descobre que o Pai é amor e liberdade, ele tem coragem de voltar e pedir perdão. Cumprir a vontade do Pai significa reconhecer-se como filho e viver como irmão assumindo corajosamente o trabalho na vinha.

A mensagem da parábola indica que diante de Deus o importante não é “falar”, “prometer”, mas agir. Porque todo aquele que se torna discípulo a partir do contato com o Cristo Ressuscitado, consequentemente, torna-se apóstolo, enviado, missionário. Não é suficiente dizer: “Senhor, Senhor”! A ênfase, portanto, é colocada sobre o arrependimento, a conversão, tendo em vista o compromisso com o Reino de Deus. Existe uma responsabilidade pessoal na salvação que é dom gratuito de Deus concedido a todos através de Jesus Cristo. Como somos livres e podemos escolher, a mensagem de hoje nos convoca a participar livremente na construção do Reino, de modo que todos tenham consciência de que podem ser salvos. Sinal da liberdade humana é justamente sua capacidade de se converter do mal para o bem, de mau tornar-se bom. Ou seja, ninguém está destinado ao pecado, Jesus nos garantiu a salvação com a sua morte e ressurreição.

Nós somos o filho a quem Deus se dirigiu primeiro, chamando-o a trabalhar na sua vinha, isto é, na Igreja. Não nos deixemos contaminar pela vanglória de nos considerar salvos pelos nossos méritos, mas coloquemo-nos numa atitude permanente de aprendizes, seguidores de Jesus, buscando sempre a conversão. Que Deus nos dê a graça de sermos coerentes com o nosso “sim”.

Neste domingo (28) celebramos o Dia da Bíblia, palavra de Deus revelando seu amor pela humanidade. Também somos convocados pelo papa Francisco a rezar pelo Sínodo Extraordinário sobre a Família. Sagrada Família de Nazaré, protege nossas famílias!

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