Copagril
Tarcísio Vanderlinde

O elo que une

 

O local onde Cristo foi sepultado passou a ter uma segunda opção a partir de 1883, quando o oficial britânico Charles Gordon, em visita a Jerusalém, se convenceu de que o Calvário ficava numa colina próxima ao local onde se hospedou.

Sua teoria se baseou numa concepção imaginária da Jerusalém antiga, onde a forma de um crâneo (Gólgota) estaria posicionado numa colina ao Norte da porta de Damasco. No lado ocidental da colina descobriu-se um sepulcro com potencial de ter sido o de Jesus. O ambiente apresentava um visual que parecia ter saído dos Evangelhos.

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A descoberta de Gordon, conhecida hoje como Jardim da Tumba, criou fissuras numa tradição milenar ao marcar o início de outra. Dependendo da concepção religiosa, os peregrinos que vão hoje a Jerusalém visitar o túmulo de Jesus se dirigem a lugares diferentes. Agências de viagens estão atentas a esta particularidade.

Historiadores costumam dizer que tradições podem ser inventadas. Em muitos casos a tradição passa a ter um peso maior do que uma descoberta científica. Em diversos lugares na Terra Santa a tradição direciona as visitas, e nem sempre há interesse em discutir os assuntos sob um olhar mais crítico.

O túmulo do Santo Sepulcro foi datado da época de Cristo. Já o do jardim, de acordo com o arqueólogo Gabi Barkai, é de aproximadamente 800 a.C. O local da “caveira”, no Santo Sepulcro, vem de uma tradição que naquele lugar teria sido sepultado Adão. A “caveira” do Jardim decorre de erosão natural numa colina de pedra calcária que pode variar contornos com o tempo.

A pesquisa que realizei revelou diversos argumentos prós e contra os dois lugares onde se afirma que Cristo foi sepultado. Silvia Spelboim, guia de visitantes na Terra Santa, defendeu tese sobre o Santo Sepulcro e o Jardim da Tumba. Em entrevista concedida a Rogério Enachev, guia muito popular entre visitantes brasileiros, Spelboim afirmou que ainda não há um elo arqueológico que elucide suficientemente a questão, embora as evidências históricas e arqueologias apontem mais para o Santo Sepulcro, desde a época que o imperador Constantino mandou construir ali a primeira igreja no século IV a.C.

É um desafio tratar este assunto em poucas linhas, contudo há um elo que une cristãos, apesar das divergências. Parece não haver discordância quanto à ressurreição de Jesus, tenha ela acontecido no local da atual Igreja do Santo Sepulcro ou no Jardim da Tumba. Nos dois lugares o túmulo está vazio.

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

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