Tarcísio Vanderlinde

O enigma da arca

A Arca da Aliança era o objeto sagrado mais importante do Tabernáculo hebreu. O Tabernáculo fora instituído no Sinai durante a travessia dos hebreus pelo deserto em direção à Terra Prometida. A arca ficava no lugar Santíssimo do Tabernáculo separado do Lugar Santo por um véu no qual estava bordado um querubim. Feita de madeira de acácia e revestida em ouro, a arca guardava as tábuas da lei, um jarro com maná e a vara de Arão.

Depois de ser carregada pelos levitas através do leito seco do Jordão, a arca deixa de ser objeto de culto e desaparece das narrativas bíblicas durante a conquista de Jerusalém por Nabucodonosor por volta do VI século a.C. Não é possível saber se foi confiscada, derretida ou escondida. Existem muitas histórias sobre o desaparecimento deste objeto.

Numa produção fílmica bem bolada por Steven Spielberg e George Lucas, o arqueólogo e aventureiro Indiana Jones sai à procura da arca. Depois de confrontos com um grupo nazista, que a mando de Hitler também a desejava, a arca é encontrada no Egito e finalmente guardada em segurança nos Estados Unidos.

Lugares ignotos no Egito e na Etiópia constam nos cenários que povoam o imaginário geográfico sobre a possível localização da arca. Porém outras localizações também fazem parte das especulações sobre o paradeiro deste precioso e enigmático artefato.

Uma tradição rabínica afirma que ela estaria escondida ali mesmo em Jerusalém, em algum lugar do monte Moriá, lugar de sua entronização durante a inauguração do primeiro templo construído à época de Salomão. Há ainda a teoria de que durante as cruzadas os templários teriam escondido a arca em algum lugar nas ilhas britânicas.

A única referência bíblica sobre o esconderijo da arca encontra-se em II Macabeus, livro considerado apócrifo por parte da cristandade. O relato conta que à época do exílio babilônico o profeta Jeremias teria escondido a tenda e a arca na “montanha onde Moisés, tendo subido, contemplou a herança de Deus”. Trata-se do monte Nebo situado hoje na Jordânia.

O texto destaca que “Ali chegando, Jeremias encontrou uma habitação em forma de gruta, onde introduziu a tenda, a arca e o altar de perfumes, obstruindo depois a entrada”. O texto ainda relata que alguns dos que haviam auxiliado Jeremias a transportar os objetos tentaram assinalar o caminho, mas não puderam mais identificá-lo depois. Ao saber da tentativa dos auxiliares, Jeremias censurou-os dizendo: “O lugar permanecerá incógnito até que Deus realize a reunião do seu povo, mostrando-se misericordioso”.

A arqueologia tem feito progressos na região que se identifica com o cenário geográfico dos escritos bíblicos. Há diversas escavações em Jerusalém e outros lugares da Terra Santa. Muitos achados interessantíssimos já vieram a luz, como é o caso dos Pergaminhos do Mar Morto descobertos nas cavernas da Qumran, deserto da Judeia, no ano de 1947. Sobre a arca, efetivamente ainda nada se sabe. O texto de Macabeus parece ser a referência que ainda melhor joga luz sobre o assunto.

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

 

 

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