Arno Kunzler

O equívoco…

Muito se fala hoje sobre o estado que o governo transformou a situação econômica do país.

Alguns tentam, inutilmente, atribuir os problemas à crise internacional, mas os grandes equívocos da política econômica foram cometidos, não agora, durante os 12 meses que antecederam as eleições presidenciais.

E eram tão evidentes que só um governo obcecado pela vitória eleitoral seria capaz de cometer.

Aqui nesse espaço tratamos disso várias vezes, alertando para as consequências de se manter uma política equivocada, eleitoreira e irresponsável.

Senão vejamos.

Durante todo período pré-eleitoral, o governo estimulou o consumo em detrimento da produção.

O que aconteceu com o estímulo ao consumo? A economia parecia aquecida, mas de forma artificial, tudo era financiado gerando pleno emprego, geração de impostos elevada e satisfação dos eleitores.

Mas o que aconteceu com a produção? As indústrias demitiram, reduziram sua capacidade de produção e os preços aumentaram. Para compensar esse quadro, o governo ainda manteve o dólar baixo para permitir que os consumidores comprassem no exterior e evitassem a bolha inflacionária durante a campanha eleitoral.

Mas o que aconteceu? Isso provocou o maior desequilíbrio da balança comercial.

O que ficamos sabemos depois é que o governo já tinha déficit orçamentário e manteve o caixa com financiamentos do Banco do Brasil e da Caixa para honrar os pagamentos dos benefícios sociais. Um rombo sensacional que resultou nas pedaladas fiscais.

Resumindo, o governo fez política eleitoral com a economia e deu no que deu.

Inflação, juros altos, demissões, redução do PIB, aumento dos impostos, paralização de muitas obras do governo e o congelamento de outras previstas, anunciadas e até licitadas.

Isso tudo é consequência da política de estímulo ao consumo, quando o correto seria estimular a produção.

Oferecer linhas de crédito subsidiadas para o consumo e juros reais para produção é a receita certa para gerar escassez, inflação e desemprego.

Mas engana-se quem pensa que o governo não sabia disso. Essa política foi feita de caso pensado para vencer a eleição, inclusive aquele engodo de baixar a conta da luz, que depois praticamente dobrou de preço para pagar o rombo provocado durante a campanha.

Então, não é crise internacional, não é plano econômico que não deu certo, não houve nada que justificasse tamanha insensatez com a economia do país. O governo errou porque queria vencer a eleição, e se venceu foi por conta dessa política equivocada, eleitoreira e irresponsável.

Governos populistas precisam do povo satisfeito e consumindo, algo que lhes tira a capacidade de pensar, de refletir e ver os defeitos.

Suas políticas normalmente são voltadas ao consumo das grandes multidões e apenas em períodos curtos.

É fundamental que depois da eleição haja um motivo para pisar no freio, diminuir a satisfação, para depois, próximo das eleições, voltar com tudo e provar que o governo está certo, suas ações deram resultado.

Se observarmos os últimos governos, foram todos assim. Sarney com o Plano Cruzado, Itamar Franco com o Plano Real que deu dois mandatos a FHC e Lula com o Fome Zero, que deu três mandatos ao PT.

Em todos eles uma semelhança: juros baixos durante a campanha e juros altos no intervalo eleitoral.

A diferença entre eles é que o PT exagerou na dose e destruiu a economia do país.

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

TOPO