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Elio Migliorança

O EXEMPLO MORA AO LADO

Há momentos na vida em que um amigo pode fazer a diferença. No distante ano de 1984, um amigo me convidou a visitar sua terra no continente europeu. Era o padre Dom Severino Kögl, então vigário e diretor do seminário em Nova Santa Rosa. Sua terra a Hungria, então dominada pelo comunismo soviético. Além da Hungria, visitamos mais alguns países, onde estava sendo construída uma infraestrutura inimaginável para os padrões brasileiros. Refiro-me ao asfaltamento das rodovias rurais, que davam acesso a pequenos povoados e às propriedades particulares. As não pavimentadas ainda, já estavam com obras em andamento. Pensar nisso para o Brasil era uma utopia. No dia 29 passado, participando de um evento em Dez de Maio, município de Toledo, após uma chuva torrencial, fui informado que havia acesso asfaltado até a BR-163 no trevo de Vila Ipiranga. Tarde da noite, serpenteando pelas propriedades rurais no interior de Toledo, rodando sobre aquele traço negro do progresso, recordei das paisagens europeias de outrora. Vários riachos no caminho, morros e vales, nada impediu que o progresso se instalasse. Do trevo de Vila Ipiranga, poucos quilômetros pela BR-163 e nova saída agora pela linha São João, com pavimentação até o distrito de Novo Sarandi, e muitas propriedades rurais no caminho. Modelo de obra pública com parceria privada, onde os proprietários ajudam no pagamento da obra, foi possível porque alguém teve uma “boa ideia” e soube vendê-la aos beneficiados diretos no caso os produtores rurais, mas que beneficiou a todos, inclusive quem economizou quilômetros e combustível, e mesmo não pagando pela obra chegou em casa com segurança numa noite chuvosa.
O prefeito de Toledo não me conhece, portanto, este texto não está sendo produzido com segundas intenções, mas sim para valorizar a brilhante ideia e a sua concretização, e concluir que é assim que se constrói um futuro de progresso. É claro que se considerarmos os impostos que pagamos, isto devia ser obrigação dos governantes, mas se esperarmos por isso sem colocar a “mão na massa e no bolso”, ficaremos de forma bem patriótica deitados eternamente em berço esplêndido, esperando um progresso que nunca vai chegar. Andar no interior de Toledo é quase a mesma coisa que andar no interior dos municípios na Europa.
Na área de saúde é quase a mesma coisa. Enquanto o maior investimento em saúde que se faz na maioria dos municípios da região Oeste é comprar ônibus e ambulâncias para o transporte de doentes até Cascavel, atendimento que está quase em estado de colapso pelo fluxo diário de pacientes, em Toledo há determinadas especialidades médicas em que se consegue consulta antes no sistema de saúde do município do que na esfera particular. Estas conquistas não acontecem da noite para o dia, é necessário um planejamento adequado, recursos e principalmente credibilidade junto à população para convencê-la a embarcar nas propostas. Em ano eleitoral, quando os eleitores vão escolher novos governantes, é bom gravar todas as propostas e promessas para cobrar depois. A pior parte de uma má escolha é ter que aguentá-la por quatro anos.

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