Copagril – Sou agro com orgulho
Arno Kunzler

O fim da Lava Jato

É claro que o presidente Bolsonaro não devia ter a intenção de acabar com a Lava Jato quando foi convidar o mais respeitado juiz federal, palestrante renomado e personalidade internacional, para ser seu ministro da Justiça.

Só que na prática, foi isso o que aconteceu.

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A saída de Sérgio Moro da Lava Jato fragilizou sua estrutura, expôs seus membros e aumentou o apetite de muita gente, a maioria políticos e empreiteiros, para destruí-lo e, com ele, a Lava Jato.

Sérgio Moro pode ter cometido algum excesso, pode ter confabulado com gente do Ministério Público para articular ações, pode ter orientado policiais federais para instruir processos…

Pode, e hoje isso parece ser mais grave do que os crimes extraordinários cometidos por centenas de políticos, empreiteiros, doleiros e outros criminosos.

Foi um dos poucos juízes que bancou prisões de empreiteiros bilionários, de políticos e empresários do primeiro escalão.

Tinha que se dar mal, mexer com tanta gente graúda… não pode, isso nunca havia acontecido e, provavelmente e infelizmente, talvez nunca mais vai acontecer.

Mexeu com muitos interesses, empresários e políticos que enriqueceram da noite para o dia negociando obras e vantagens indevidas nos porões do poder em Brasília.

E quando se mexe no vespeiro, todas as vespas atacam para defender o seu ninho e a sua rainha…

Moro ficou sozinho, não agradou nem a esquerda, nem a direita e nem o centro… claro, de todos os lados tinha gente sendo investigada na Lava Jato.

Pobre do Brasil. Estamos transformando os bandidos em vítimas e, pior, estão conseguindo nos fazer ficar indiferentes, quando não contra o juiz Sérgio Moro e a Lava Jato.

Sim, ele cometeu o “crime” de julgar e condenar centenas de políticos, empresários, doleiros etc. Todos os crimes evidenciados, julgados em instâncias superiores, inclusive com os criminosos devolvendo o dinheiro desviado.

Parece piada, mas não é.

Se Moro cometeu um erro grave, certamente não foi por ter confabulado com membros do Ministério Público, nem por ter mandado prender o “inocente” Lula, mas o erro foi, desavisadamente, ter aceitado o convite para ser ministro de Bolsonaro.

Acabaram com a Lava Jato e acabaram com a esperança de muitos brasileiros.

As porteiras da corrupção estão novamente escancaradas, para alegria de muita gente.

É improvável que tenhamos uma nova Lava Jato e nem que surja um novo Sérgio Moro nas próximas décadas.

É muito mais fácil passar a vida no anonimato do Judiciário, sem incomodar ninguém e sem nunca ser incomodado, sem errar, mas também sem fazer nada de relevante.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

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