Arno Kunzler

O FURO DA BALA…

O rombo das contas públicas deste ano já chega a R$ 20 bilhões.

Não é de hoje e nem deste governo que o Brasil não consegue administrar o déficit das contas públicas. Mas o que assusta é que ele cresceu 73%.

E mais uma vez quero registrar aqui que não adianta aumentar impostos se o governo não se preocupa com os privilégios debaixo do seu nariz.

Não adianta condenar o combate à pobreza, debitando esse déficit na conta do Bolsa Família etc… Não, ele é fruto de um gigantesco avanço de classes privilegiadas que se dão aumentos, que se dão ajuda de custo, que, a despeito da pobreza dos aposentados normais, faturam aposentadorias milionárias.

Esse é o furo da bala.

É gente que se aposenta cedo demais e muitas vezes consegue acumular aposentadorias e passam a ganhar durante 30, 40 anos um valor pelo qual não contribuíram.

E aí, quem paga a conta? O Estado, essa mãe de todos.

Sejam municípios, governos estaduais ou federal, todos estão negligenciando com o dinheiro público.

Grupos especializados nas administrações aproveitam a falta de conhecimento da maioria dos gestores e aprovam leis que criam privilégios para poucos e que se tornam direito adquirido para o resto da vida.

A continuar nesse embalo, o Brasil vai sofrer as mesmas consequências que a Grécia já sofreu, que a Itália, Portugal, Espanha e França estão sofrendo. Em algum momento, o governo vai ter que reduzir os benefícios que paga a esses grupos de privilegiados, ou não haverá dinheiro para pagar todos.

Não há orçamento público que aguente nesse ritmo. Além disso, nossos legisladores generosos criam todos os dias novas demandas que o caixa dos governos precisa bancar. São pequenas coisas que, acumuladas, vão se transformando numa grande bola de neve.

Desde a contratação de funcionários públicos para atender demandas que hoje necessitam determinado número de pessoas e amanhã podem diminuir.

Os funcionários não poderão diminuir, vão se aposentar na função que foram aprovados em concurso.

O Estado brasileiro – municípios, governos estaduais e federal – hoje só sabe aumentar despesas. Mas vai ter que aprender a diminuir, custe o que custar, doa a quem doer.

Não há como suportar o crescimento dos custos da máquina sem aumento de produção.

Como não temos aumento de produção, o governo ainda tenta compensar com aumento de impostos. Mas esses já estão pela hora da morte e aos poucos vão asfixiando o setor produtivo, que perde competitividade em todos os sentidos.

Daqui a pouco é mais caro produzir um quilo de frango no Brasil do que nos Estados Unidos.

Com o regime de burocracia implacavelmente descontrolado no Brasil, a elevada carga tributária, a legislação trabalhista sem nenhuma flexibilidade, a falta de mão de obra qualificada, a corrupção e a má qualidade dos serviços públicos deixam nosso país à mercê dos concorrentes.

Hoje estamos matando o futuro do Brasil. Estamos matando a galinha dos ovos de ouro.

Por falta de juízo, ou por incompetência dos governantes e pela esperteza de grupos que agem e só pensam em se beneficiar do erário público, alimentando essa teia de corrupção e construindo privilégios inconcebíveis, vamos destruir o sonho de termos um futuro promissor.

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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