Copagril
Editorial

O furto da segurança

As pequenas cidades, mais afastadas dos grandes centros urbanos, já foram sinônimo de paz, tranquilidade e segurança, a ponto de deixar janelas e portas abertas. Já foram sinônimo, mas já não são mais. Apesar de registrar poucos crimes violentos, como homicídios e latrocínios, elas figuram quase que diariamente nos boletins de ocorrência das forças policiais. Aquela tranquilidade outrora 100% presente hoje dá lugar à insegurança e ao receio de ser a próxima vítima.

Nos últimos meses, moradores dos municípios de Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Mercedes e Quatro Pontes estão sendo lesados por furtos e roubos que acontecem frequentemente. Em Quatro Pontes a situação é a que mais chama a atenção, de acordo com os registros policiais.

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Hoje, nem com as portas fechadas o morador está protegido, imagine só se elas ainda estivessem abertas. Muros, arames farpados e cercas elétricas estão cada vez mais comuns onde há pouco tempo os destaques eram as casas sem grades.

Acabou o sossego. O crime migrou para a roça, para a pequena cidade, mostrando a muito morador uma dura realidade vivida em todo o Brasil, mas que antes se restringia às grandes cidades e aos noticiários na TV. Uma das características mais peculiares das pequenas cidades do Oeste do Paraná, a segurança, está sendo furtada de seu povo.

Vários são os motivos que podem explicar esse aumento no número de crimes em cidades menores, entre eles o baixo efetivo policial. Com pouca gente, pouca viatura, pouca arma e pouca estrutura, não tem muito o que fazer a não ser registrar a próxima ocorrência. Esse cenário tem levado grandes quadrilhas a promover verdadeiros ataques a essas pequenas cidades, não somente praticando saques nos bancos e caixas eletrônicos, como também confrontando e coagindo a polícia com seus fuzis e outras armas de guerra.

Falta também coerência da Justiça. Muitos desses crimes são cometidos por pessoas que já colecionam várias passagens pela polícia. Comete o crime, é preso, mas é solto, volta a cometer crime, é preso, é solto, volta a cometer crime. Tudo em questão de dias, às vezes horas. O pior círculo vicioso que possa ter quando a segurança pública está em questão. Ou seja: a impunidade faz o criminoso ser reincidente, faz a população refém.

As autoridades públicas de segurança, as entidades de organização de classe, a imprensa, a população não podem deixar isso barato. Quando a violência aumenta, seja em que pé for, precisa de atenção. Achar a violência comum, acostumar-se a ela, não tomar ações que possam estancá-la, é o primeiro passo para que novos crimes se multipliquem. Hoje é um furto de bicicleta, amanhã é uma família refém, depois sabe-se lá o que mais.

Não bastasse o caos das grandes cidades e centros urbanos, a insegurança agora assola as pequenos e outrora pacatos municípios brasileiros. Uma perda que não tem preço.

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