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Tarcísio Vanderlinde

O jeito Herodes nos textos de Flávio Josefo

Protegido pelo Exército romano, conseguiu tornar-se rei de Israel sem ser de fato judeu. Permaneceu no poder por mais de três décadas. Seu reinado chegou ao fim por ocasião do nascimento de Jesus. Ao saber pelos sábios do Oriente de que havia nascido em seu território o rei dos judeus, Herodes não deixou por menos. Mesmo doente ordenou a matança de crianças de dois anos para baixo temendo uma possível perda do trono.

Para se manter no poder, Herodes utilizou artimanhas que ainda não saíram de moda. Para seduzir os judeus, por exemplo, realizou obras grandiosas em benefício deles, como foi o caso da ampliação e embelezamento do templo de Jerusalém.

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Vestígios de outras obras suntuosas do tempo de Herodes ainda podem ser observadas hoje na Terra Santa. Contudo, Herodes também passou para a história por realizações menos nobres. Seu perfil de crueldades aparece no “Livro Primeiro da Guerra dos Judeus contra os Romanos”, de Flávio Josefo.

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No capítulo XVII, Josefo relata que Herodes via por toda a parte conspirações que pretendiam derrubá-lo. Vigiava dia e noite as palavras e ações de todos, e quando suspeitava de alguém mandava logo eliminá-lo. Com o intuito de esvaziar um desses possíveis golpes, articulou as mortes do sumo-sacerdote Hircano, de sua própria esposa Mariana e dois de seus filhos: Alexandre e Aristóbulo.

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Uma das decisões mais infames levadas a efeito pelo rei foi a criação de um tribunal de exceção para legitimar a morte de seus dois filhos acusados de conspiração. No tribunal composto de juízes e advogados de confiança do rei não se permitiu a presença dos acusados. Foram julgados a distância e condenados à morte por enforcamento. Josefo sintetiza o jeito Herodes de governar:

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“Este príncipe estava sempre pronto a derramar sangue; e no furor que o agitava, era suficiente inventarem-se calúnias contra aqueles que ele odiava, para logo serem eliminados; em tudo ele acreditava; não havia intervalo entre a acusação e a condenação; e se o acusador se tornava acusado, eram ambos levados ao suplício, porque esse príncipe julgava que, quando se tratava de sua vida, não era necessário observarem-se certas formalidades”. E acrescenta:

“Sua crueldade chegou a tal excesso que não podia olhar com bons olhos os que não eram acusados, mas era impiedoso mesmo com seus amigos. Exilou a vários do seu reino e usou mesmo de palavras ofensivas contra outros, sobre os quais seu poder não se estendia”.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

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tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

 

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