Copagril
Elio Migliorança

O lado mais fraco da corda

Um provérbio de origem desconhecida afirma que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Nem é necessário fazer experiências para comprovar tal afirmação, pois arrebentar do lado mais fraco é a lógica em qualquer circunstância.

Na grande corda chamada “governo brasileiro” está em debate um projeto para reforma da Previdência Social. Estamos começando na contramão, tipo descer a escada sem tê-la subido ou voltar sem antes ter ido para algum lugar.

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A reforma da Previdência, por mais urgente que possa parecer, devia começar com uma ampla e eficiente auditoria para identificar todos os vícios, golpes e falcatruas aplicadas ao longo da história da Previdência, por seus funcionários, administradores e segurados do sistema.

Nem de brincadeira alguém sugira uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para fazer este trabalho, pois isso seria convidar o vampiro para cuidar do banco de sangue. Que seja contratada via concorrência pública uma empresa especializada e confiável que aponte todos os atos praticados ao longo do tempo, bem como benefícios concedidos sem respaldo legal. E quando todos os problemas estiverem identificados, punir os culpados, cancelar benefícios irregulares ou acima do teto legal, e confiscar os bens de todos os que tenham desviado recursos para que seja devolvido o valor desviado.

Depois de saneado o sistema, pode-se começar a estabelecer as regras para o futuro e com isso criar um sistema previdenciário forte e que dê segurança aos futuros aposentados. E claro que neste processo investigatório devem ser investigados também os poderes públicos que tenham deixado de recolher a parcela devida à Previdência e seus administradores devem ser exemplarmente punidos.

Da forma como está proposta a reforma, ela vai punir os pequenos, aqueles que contribuíram durante a vida inteira e na hora em que podiam usufruir nos anos finais da vida sofrem a angústia de serem vítimas de um sistema que foi saqueado e que agoniza respirando por aparelhos.

Nos últimos dias várias reportagens sobre o tema deram a entender que o maior rombo da Previdência foi causado pelos agricultores que se aposentaram no sistema sem nunca ter contribuído. O que estas raposas astutas não divulgaram é que o agricultor tem descontado 2,1% sobre todos os produtos vendidos, isso representa um valor astronômico se considerarmos a produção agropecuária brasileira, recolhido para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

Até agora os iluminados governamentais não contaram onde estão os bilhões arrecadados, visto que a arrecadação daquele tributo cobre com sobras o valor das aposentadorias rurais. Se existem benefícios concedidos irregularmente que sejam punidos os responsáveis pela concessão.

O sofrido agricultor brasileiro, que tantas vezes já salvou a balança comercial brasileira, sendo a ponta mais fraca desta corda cheia de cupins, não pode ser responsabilizado por um crime que não cometeu e nem podemos aceitar que as autoridades desviem o foco dos verdadeiros responsáveis pela falência do sistema.

Assim como estamos fazendo com o Brasil é necessário passar o sistema previdenciário a limpo. Colocar mais dinheiro lá dentro mantendo o sistema atual é como enxugar gelo ou através de uma trucagem ilusionista escolher o retrocesso que não leva a lugar nenhum.

 

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