Dom João Carlos Seneme

O meu mandamento é este: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei

Estamos lendo o capítulo 15 do Evangelho de São João que mostra Jesus falando na intimidade com os seus discípulos. Neste encontro Ele revela a sua vontade e deixa o seu único mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Não seria necessário outro, porque neste mandamento se realizam todas as coisas. Jesus quer deixar claro que os discípulos, ao darem continuidade à sua missão, não estarão sozinhos, Jesus estará sempre com eles. Por isso fundou uma igreja, uma comunidade de irmãos que são amigos e recebem gratuitamente de Jesus este amor para repartiram com toda a humanidade: “Vós sois meus amigos se fizerdes o que eu vos mando”. Neste momento podemos entender porque Jesus se apresentou como a verdadeira videira: porque em sua vida, em comunhão com Deus, na fidelidade constante a Deus dedicou toda a sua vida a amar. Se Deus é amor e Jesus é um com Deus, sua vida é uma vida de entrega.

Portanto, os ramos só terão vida se permanecerem no amor de Jesus, porque Jesus não falha em sua fidelidade ao amor de Deus. Jesus quer repetir com os seus, com sua comunidade, o que Deus fez com Ele. Jesus sente que Deus o ama sempre (porque Deus é amor) e uma comunidade não pode ser nada senão se fundamenta no amor sem medida: dando a vida pelos outros. Deus vive porque ama; senão amasse, Deus não existiria. Jesus é o Senhor da comunidade, porque seu domínio se fundamenta no amor. A comunidade produzirá muitos frutos se praticar o amor, o perdão, a misericórdia entre os irmãos. Esse é o que nos distingue como filhos e filhas de Deus.

Vivemos em um mundo fragmentado, que, em muitas situações, exclui e divide as pessoas. Tais rupturas ocorrem em todas as áreas de nossa vida: política, religiosa, eclesial, familiar. Deus nos fez únicos e nos quer salvar assim: “Eu vim reunir todos os que estavam perdidos”. E realmente Jesus realizou seu projeto: fomos salvos com sua morte e ressurreição. Ele nos escolheu e amou primeiro, nos reuniu em comunidade e nos deixou a missão de chamar todas as pessoas a colocar Jesus no centro de suas vidas. Só assim poderemos construir um mundo bom, fraterno, onde todos serão um com Deus.

Não podemos nos contentar com o ritmo desumanizante que está ao nosso redor. Somos os “amigos” de Jesus. Nossa missão é aceitar o convite que Ele nos faz: amar um ao outro. Da mesma forma como o Pai comunicou a Jesus seu amor, Ele partilha conosco este dom e nos convida a comunicar a todos. Portanto, compete a nós, a comunidade de Jesus, sua Igreja, ajudar a eliminar o sofrimento, o egoísmo, a miséria, a dor, a escravização e anunciar a boa nova da salvação. Deixemo-nos impregnar pela esperança e anunciar a pessoa de Jesus na dimensão que nos ensina o papa Francisco: “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Evangelii Gaudium, nº 1).

Neste domingo (10), Dia das Mães, queremos pedir à Maria, mãe de Deus e nossa mãe, que abençoe todas as mães na generosidade de uma vida doada aos filhos, à família; que continuem a acreditar na vida partilhada e na construção de uma família santa. Parabéns a todas as mães!

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

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