Copagril
Editorial

O “Mito” mitou

 

A maioria dos eleitores de Marechal Cândido Rondon e municípios vizinhos deu o recado nas urnas: quer Jair Bolsonaro como o próximo presidente da República Federativa do Brasil. Se depender dos eleitores daqui, o candidato da extrema direita vence fácil o pleito marcado para 28 deste mês.

Dentre os 399 municípios do Paraná, foi em Nova Santa Rosa que ele recebeu o maior índice de votos válidos no Estado. No primeiro turno, 81,46% dos eleitores deste município apostaram suas fichas no candidato do PSL. Em Marechal Rondon, sete em cada dez votantes também apertaram o 17 nas urnas. Esse índice deve aumentar ainda mais no segundo turno, muito por conta da aversão que a maioria da população local e regional tem pelo Partido do Trabalhadores de Fernando Haddad.

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Bolsonaro mitou, como diriam os jogadores do Cartola (um fantasy game do Globo Esporte) quando se referem a um atleta de futebol que faz muitos pontos por conta de seu desempenho na rodada do Campeonato Brasileiro.

Outros diriam ganhou de lavada. Ou ainda deu um baile. Fato é que a população da microrregião, e do Paraná como um todo, onde Bolsonaro aglutinou para si cerca de 55% dos votos válidos no primeiro turno, parece estar uníssona em relação ao novo presidente do Brasil. O recado não veio só das urnas, mas das ruas. Em várias cidades houve carreatas em favor da candidatura de Bolsonaro, como em Marechal Rondon e Nova Santa Rosa. Com dinheiro próprio, as pessoas estão adesivando carros, comprando camisetas, promovendo a campanha do “Messias” nas ruas, na internet.

Talvez seja esse o maior movimento espontâneo em favor de um candidato que a microrregião já viu em sua história. As ruas, as urnas, o já quase intragável Facebook comprovam esse cenário. Para muita gente da região, e muita mesmo, Bolsonaro virou uma obsessão. Você pode ser um. Se não for, certamente conhece alguém que seja.

É difícil, talvez impossível, saber o que levou os eleitores a promover a “mitada” de Bolsonaro na rodada de 07 de outubro. A região, de fronteira, tem vários problemas de segurança, cheia de terras produtivas, tem um enrosco atrás do outro com indígenas e com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Justamente o foco de ataques de Bolsonaro, que é contra a demarcação de mais terras indígenas, tem na segurança pública sua principal bandeira de campanha, e sente um asco quase mortal do movimento agrário. A região, de costumes mais tradicionais, também se aconchega nos discursos sobre honestidade, retidão e tradicionalismo pregados pelo direitista.

Não há como saber o que de fato levou muitos eleitores da região a votar em massa para Bolsonaro, mas certamente os 16 anos de PT, seguidos por dois anos de MDB, a Lava Jato e as prisões, inclusive do ex-presidente Lula, também contribuíram para que ele tenha tido tal desempenho.

O “Mito” mitou na microrregião rondonense. Resta saber se ele vai ter o mesmo desempenho no segundo turno e se credenciar em definitivo para governar o Brasil pelos próximos quatro anos – dá medo até na hora de escrever. Entre #EleSim e #EleNão, parece que a maioria dos moradores da região escolheu #Ele.

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