Editorial

O ouro não vem da joalheria

Uma imagem chamou a atenção nesta semana. As centenas de balsas e dragas que invadiram o Rio Madeira, no Amazonas, para a extração de ouro, causaram espanto para quem não é acostumado a essa situação. Mas o que há de errado em explorar o ouro? Vamos aos fatos.
A Amazônia, que não é apenas brasileira, é explorada desde sempre. Além de Brasil, a maior floresta tropical do planeta está presente na Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana (França), Peru e Venezuela. Em todas essas regiões, garimpeiros, madeireiros e fazendeiros pintam e bordam longe do olhar fiscalizatório das autoridades competentes.
Há alguns anos, a Hydra, uma empresa estatal norueguesa, ou seja, do governo da Noruega, que tanto tripudia do Brasil, foi denunciada por jogar rejeitos de extração mineral nos rios da Amazônia. A notícia passou despercebida para a ampla maioria das pessoas. Nada foi feito. Não fossem as ONGs, talvez, ninguém nunca saberia. Aliás, foram as ONGs que encontraram as balsas atracadas no enorme leito do Rio Madeira nesta semana.
A madeira que é retirada ilegalmente da Amazônia tem, como destino certo, países ricos, como os da Europa e os Estados Unidos. Ou você acha que os guarda-roupas dos brasileiros são feitos de madeira de lei? MDF, compensado, é o que nos resta. A exploração de pedras preciosas no Brasil é feita, muitas vezes, por empresas gringas, que se instalam no país, “roubam” todas as nossas riquezas e deixam para trás alguns empregos e impostos de lambuja. As migalhas para os verdadeiros donos.
Nas terras indígenas ou do governo são um fiasco só. As atividades ilegais que por lá são encaradas naturalmente há décadas ocorrem quer queiram, quer não. A fiscalização barra e no dia seguinte tudo está igual. Quem financia? Certamente não é o coitado do garimpeiro que mora em cima de uma balsa.
A floresta, evidentemente, tem que ser preservada, mas por que não extrair ouro de um rio, simplesmente coando a água? Por que alguns podem, outros não? Por que não usar o ouro brasileiro a nosso favor? Vale lembrar que o amarelo da bandeira tem relação íntima com o ouro que a terra tem. Por que não legalizar uma atividade que já existe? Por que criminalizar essa atividade econômica? Não seria melhor legalizar, criar leis, normas, parâmetros, para poder fiscalizar? Não seria melhor recolher impostos de uma atividade lícita?
Que mal a extração de ouro pode causar? Se causa mal, por que as pessoas ainda compram correntes, pulseiras e anéis? Como o leite não vem da caixinha, o ouro não vem da joalheria. Por que deixar na ilegalidade? Por que deixar para os gringos? Por que não explorar com sustentabilidade? São muitas perguntas, poucas respostas e uma enorme desorganização, para não dizer coisa pior.

São muitas perguntas, poucas respostas e uma enorme desorganização, para não dizer coisa pior

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