Pref. Pato Bragado – Dengue 2019
Elio Migliorança

O PIOR CEGO

Um provérbio popular diz que o pior cego é aquele que não quer ver. Concordo em parte porque ruim mesmo deve ser a cegueira daquele que mesmo querendo não consegue ver. Creio então que a metáfora refere-se ao fato de alguém que, mesmo vendo os fatos, recusa-se a admitir a realidade. O primeiro fato que a maioria da população ainda não aceita refere-se às mudanças climáticas. Estamos de novo sofrendo os efeitos de uma estiagem que pode causar prejuízos incalculáveis a nossa região e a outras regiões do país. Em algumas regiões chove demais enquanto em outras não chove. Nada produz sem água. Os céticos vão dizer que isso sempre aconteceu. Talvez, mas não nas proporções atuais. Parece que a natureza tomou um porre e perdeu o equilíbrio. As causas foram criadas pelo próprio ser humano.
As notícias vindas da América do Norte dão conta de que nunca em toda a história os furacões foram tão fortes e provocaram tanta destruição. Em todos os continentes as notícias são assustadoras, cada uma relatando a quebra de um recorde de destruição anterior. As temperaturas nunca estiveram tão altas. A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) concluiu em um estudo que 2008 foi um dos dez anos mais quentes desde o início dos registros em 1850. A cada ano somos surpreendidos com nova alta na média. A China já tem uma crise insolúvel de abastecimento de água potável. Há notícias de migrações em direção ao Brasil por parte de estrangeiros para comprar terras por aqui. E de preferência onde existam grandes reservas de água. Enquanto isso, com toda a tecnologia que temos, somos incompetentes para coibir o desmatamento na Amazônia, não porque ela seja o pulmão do mundo, mas porque ela é a nossa garantia de sobrevivência.
As chuvas no Sul do Brasil são reguladas pela evaporação na floresta amazônica. Enquanto isso, os governantes se preocupam com a “política pequena” de perseguição a adversários políticos, com as eleições de companheiros, com cargos para apadrinhados políticos, colocando, muitas vezes, incompetentes em cargos estratégicos, e com isso o país vai caminhando para o abismo.
Está de parabéns a Itaipu com o seu programa “Cultivando Água Boa”. Tem conscientizado as pessoas a fazer o dever de casa. Mas há um longo caminho a percorrer. Mesmo com a estiagem que estamos atravessando, andando pela rua ainda se vêem pessoas varrendo a calçada e o asfalto com água, um desperdício que representa milhões de litros por dia. O segundo fato é o evento a ser realizado no dia de amanhã. Milhares de novos prefeitos tomarão posse. Sua importância vai além de um simples fato político. Há uma expectativa da população com relação às promessas feitas. O povo mora no município. Portanto, ali devem ser dados os primeiros passos na infra-estrutura necessária para garantir o futuro. Serão eles os prefeitos responsáveis pelos próximos quatro anos. E isto é muito tempo. O cargo representa a responsabilidade pelo futuro da comunidade. É preciso provar aos eleitores que a eleição não foi um erro, mas uma escolha acertada. O futuro responderá esta questão.

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