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Editorial

O povo é o resto

A ética deve estar acima de tudo e a lei deve ser aplicada a todos. Mas não foi isso que aconteceu na quarta-feira, 02 de agosto de 2017, na casa de horrores mais odiada do Brasil. A Câmara dos Deputados votou – com a ajuda de 16 dos 30 parlamentares eleitos pelo Paraná, além de três ausentes – pelo arquivamento do processo contra o resistente presidente Michel Temer, acusado com graves denúncias de corrupção passiva. Fosse na era do PT, possivelmente o resultado seria outro.

Muitos deputados e deputadas justificaram seu voto a favor de Temer e contra o prosseguimento da denúncia para o Superior Tribunal Federal (STF) com a tese de que o país precisa avançar na economia e promover as reformas. Fazendo isso, ignoraram as leis, protegeram um presidente possivelmente corrupto, tornando a retomada do crescimento econômico algo mais importante que a justiça e a ordem. Um grave erro que mantém um país dividido, agora tendo de engolir a seco um resultado conquistado através de manobras políticas, que não deveriam se acumular nos campos do respeito e comprometimento com o voto do cidadão.

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A pilantragem prevaleceu mais uma vez em Brasília. Até religião e agronegócio foram usados pelos deputados para tentar justificar o injustificável. O PMDB e o governo federal saíram vitoriosos, mas o povo brasileiro perdeu, outra vez. Até o fim de 2018, Michel Temer não vai se preocupar com Joesley Batista e com a Justiça. Vai governar uma nação de mais de 200 milhões de habitantes amplamente descontente e desconfiada. Mais que isso, apunhalada, ferida, encharcada de revolta e descrença.

Conforme os gritos de “sim” iam estufando os microfones da casa de horrores, o trabalhador brasileiro dizia “não, isso não poderia acontecer”. Mas aconteceu. As benesses que Temer concedeu aos deputados podem não ser ilegais, mas são imorais e antiéticas. As manobras políticas a que o brasileiro foi obrigado a assistir nos últimos dias provocam nojo e asco, mostrando que os governantes do Brasil não valem nada, pois nesse território quem pode mais, chora menos, e o povo é o resto. Aqueles desagradáveis sonoros votos de “sim” não refletem em nada a vontade popular, que almeja dias melhores, mas volta à sarjeta com infortúnios do naipe que só a casa de horrores pode criar.

O país que tenta respirar ares de mudança, de decência, nesta semana foi intoxicado por mais uma fumaça cancerígena que bufou de Brasília, tragado para dentro de mais um escândalo abafado, que sucumbiu à política, à imoralidade e aos interesses pessoais e partidários. Que grande vergonha!

Todo esse circo armado em Brasília mostra claramente a dificuldade que o Brasil tem e terá para inserir uma pitada de ética na política nacional. De desgosto em desgosto, o brasileiro vai perdendo a vontade de brigar, mas esmorecer não pode ser uma alternativa. Afinal, os políticos lidam com os seus interesses, a população precisa lutar pelos seus, mesmo que para os políticos todos os brasileiros não passam de resto.

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