Brincando na Praça 2019
Arno Kunzler

O que é golpe, afinal?

Ouvimos nos últimos dias várias vezes a presidente Dilma Rousseff falar que impeachment baseado na crise que o Brasil vive é um novo e disfarçado jeito de dar um golpe. Pois bem, me atrevo a analisar essas declarações e acrescentar alguns elementos para serem observados, a título de “GOLPE”.

Durante vários meses, no início de 2014, portanto, bem antes da campanha eleitoral ir para as ruas, fiz comentários aqui que podem ser conferidos sobre a situação em que o governo Dilma colocou o país, privilegiando apenas o calendário eleitoral.

Casa do Eletricista ESCAVAÇÕES

Esse, na minha opinião, é o grande golpe que o Brasil viveu nos últimos tempos.

Talvez até inspirado pelo Plano Cruzado do Sarney, que eleitoralmente promoveu seus candidatos a governador em 1986 e um dia depois foi totalmente reformulado, mostrando-se um enorme engodo eleitoral.

Talvez inspirado no Plano Real, que elegeu e reelegeu Fernando Henrique Cardoso com sobras… tamanha era a satisfação do eleitor com as conquistas de uma moeda estável…

Talvez inspirado pelo sucesso do primeiro governo Lula, que atravessou quatro anos distribuindo riquezas produzidas por seus antecessores…

E, percebendo que as forças da economia haviam se esgotado e que para reeleger Dilma era preciso inventar, o governo promoveu o que sim poderia e deveria ser tratado como golpe eleitoral.

Primeiro, baixou juros para bens de consumo, fazendo com que consumidores e comerciantes vivessem dias de glória… tudo planejado eleitoralmente…

Segundo, anunciou obras que não têm recursos para serem executadas e possivelmente vão ser postergadas por muito tempo. Exemplo, a duplicação da BR-163 a Toledo, cuja obra era para começar em março, lembram?

Terceiro, com a maior insensatez impôs redução das contas de energia elétrica para os brasileiros, fazendo com que fornecedores acumulassem prejuízos durante a campanha eleitoral para logo depois de reeleita fazer com que os mesmos eleitores felizes durante a campanha pagassem a dívida com as fornecedoras através de aumentos absurdos na energia elétrica.

Quarto, fez a Petrobras ter prejuízo duplo, primeiro com o desvio de gigantescas fortunas para empreiteiros que as distribuíam para partidos políticos aliados e comprassem quem fosse necessário para conquistar mais um mandato da presidente.

Quinto, manteve, à revelia do mercado, os preços dos combustíveis congelados durante a campanha, para logo depois da reeleição fazer com que os consumidores pagassem a conta do rombo provocado…

Sexto, o governo não consegue comprovar a maioria dos gastos que contabilizou na campanha eleitoral… Só não caçam a presidente porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não quer, ou não tem condições morais para condenar quem usou dinheiro desviado de empresas públicas, obras públicas e serviços que nunca foram realizados, para custear serviços que não foram comprovados na campanha da presidente… Como se vê, tudo errado, menos para os olhos dos ministros do TSE…

Sétimo, o governo não consegue fechar as contas e o Tribunal de Contas da União ainda não caçou a presidente porque o procurador-geral da República, reconduzido ao cargo há poucos dias, com a força política do governo, disse que não…

Oitavo, a presidente Dilma, durante toda campanha eleitoral, disse uma coisa e no dia seguinte à reeleição fez tudo diferente, a começar pela escolha do ministro da Fazenda, um banqueiro… E cortou quase todos os projetos que estavam em andamento, inclusive obras pequenas dos municípios do interior…

Nono, disse que não haveria aumento de impostos, e agora tem, e como tem…

Então, quem está promovendo golpe são os que não desejam mais que esse governo desastroso que está arruinando a economia e as contas do país, que mente, que engana, que não tem mais credibilidade nem mesmo para as coisas do cotidiano, que não tem mais condições morais, políticas e muito menos éticas para governar?

Ou quem deu o verdadeiro golpe seria o governo que usou os desinformados eleitores brasileiros com canetadas e mentiras durante a campanha eleitoral?

Pensemos nisso…

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

 

arno@opresente.com.br

TOPO