Arno Kunzler

O que vem por aí?

É indiscutível que estamos às vésperas de algo que está por acontecer.

Há uma expectativa no ar.

Casa do Eletricista – NÃO PAGUE AR

De certa forma, todos esperam por algo, ainda não decifrável aos olhos e entendimentos comuns.

A movimentação do último fim de semana mostra que os brasileiros estão com mais coisas a se preocupar do que a “simples” pandemia de Covid-19.

Podemos estar diante de uma nova crise política.

Para tentar entender o que se passa no Brasil de hoje é preciso mergulhar no tempo e lembrar de 1988.

A Constituinte (deputados e senadores eleitos em 1986) encarregada de elaborar uma nova Constituição para o Brasil foi generosa para alguns.

Sem entender essa generosidade, talvez seja difícil entender o que se passa com aqueles que vão às ruas para defender Jair Bolsonaro.

A generosidade da nova Constituição, criando cargos e benefícios no setor público, fez nascer um movimento que, de certa forma, veio para contestar tudo isso.

O movimento que se vê nas últimas semanas, que tenta evitar o impeachment do presidente Bolsonaro, expõe feridas que precisam ser estudadas para que alguém, caso haja interesse, possa curá-las.

O confronto só nos faz entender que as feridas ainda não foram suficientemente abertas para que possam gerar remédios necessários para curá-las.

As feridas mostram pessoas cansadas de esperar soluções “democráticas”, ou pior, desacreditadas nas instituições democráticas.

Essas pessoas perderam a esperança nos debates políticos, nas eleições diretas e nas negociações entre os poderes da República.

Assusta, sim, ver pessoas defendendo a intervenção militar. Assusta ver pessoas querendo acabar com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas também assusta ver tantos servidores públicos com tantos privilégios sem que as “instituições democráticas” consigam agir.

Certamente os próximos capítulos serão difíceis, talvez até violentos.

Talvez demore, mas é certo que será necessário encontrar um equilíbrio entre o que se gasta com os servidores públicos e o que se cobra do setor produtivo.

Não é um cálculo fácil de fazer. Cada um vai ter as suas razões, para querer ter a razão.

Se de um lado precisamos ter boas condições para atrair bons profissionais para o serviço público, do outro lado precisamos estimular aqueles que produzem e geram empregos e impostos.

Encontrar esse limite é o grande desafio para acabar com essa luta que não deve ser estimulada, mas compreendida.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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