Uningá Vestibular 2020
Dom João Carlos Seneme

O Reino de Deus é dom oferecido a todos

No Evangelho deste domingo Jesus retoma o uso de parábolas para revelar sinais que anunciam O Reino de Deus. Jesus usa parábolas quando está falando com um grande número de pessoas. Ele desafia a multidão a ouvir seus ensinamentos de uma maneira nova. Suas parábolas são histórias tiradas da natureza ou da realidade cotidiana da vida comum e que fazem com que as pessoas parem e reflitam sobre o que acabaram de ouvir. As parábolas terminam abruptamente e sem explicação. Jesus quer deixar o ouvinte em dúvida quanto ao significado preciso de uma parábola. Ele espera que aqueles que ouvem a parábola dialoguem com a própria história e tentem encontrar um significado para si mesmos. Ele sempre deixa as multidões querendo mais. Jesus explica as parábolas apenas em particular e somente para seus discípulos. Ele espera que os discípulos ajudem os outros a ouvir e entender.

Os Evangelhos nos apresentam o Reino de Deus como o centro da vida e da pregação de Jesus. “O tempo se realizou e o Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede no Evangelho”. Este é o anúncio do jovem profeta de Nazaré a todos que encontra pelos caminhos e nas praças da Galileia. O Reino é a presença de Deus no meio da humanidade e é preciso olhos especiais para perceber que o Reino é Jesus. Não é uma questão de lugar físico, mas implica adesão ao projeto salvador que Jesus Cristo veio revelar. Por isso não há mais tempo a perder: é necessário tomar uma decisão. Quem não se envolve coloca em risco a própria salvação.

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O Reino de Deus cresce silenciosamente em meio a tantas dificuldades. O ser humano participa, mas a vitalidade está na semente que Deus semeou. Esta vitalidade tem seu próprio ritmo, porque Deus continua agindo. O reinado de Deus não cresce por puro esforço humano, nem se estende com a violência; é preciso deixá-lo crescer; sua força é misteriosa. É um convite à esperança.

Hoje duas parábolas são apresentadas para comunicar que Deus já iniciou seu projeto: A primeira parábola é a do grão que germina e cresce por si só. A parábola mostra a intervenção do agricultor apenas no ato de semear e no ato de colher. A questão essencial não é o que o agricultor faz, mas o dinamismo vital da semente. O resultado final não depende dos esforços e da habilidade do homem, mas sim do dinamismo da semente que foi lançada à terra. A segunda parábola é a do grão de mostarda. O evangelista quer colocar em destaque o contraste entre a pequenez da semente e a grandeza da árvore. A comparação serve para dizer que a semente do Reino, lançada pelo anúncio de Jesus, está vive e atuante. Não importa o seu tamanho, ela quer atingir todos os povos e culturas.

As duas parábolas querem despertar em nós a confiança em Deus, somente Ele foi capaz de transformar aquela pequena comunidade de cristãos nesta árvore frondosa onde muitos encontram abrigo e coragem para continuar a missão de Jesus. O Reino de Deus não nasce já grande e vistoso; são essenciais atitudes de paciência e espera confiante sem deixar de lado a ousadia e a coragem.

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo

 

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