Copagril
Dom João Carlos Seneme

O samaritano voltou glorificando a Deus em alta voz

Dez leprosos vêm ao encontro de Jesus. Não podem se aproximar porque são considerados impuros. De longe pedem a compaixão de Jesus. Vendo a situação deles, Jesus não demora, não exige nada. Quer simplesmente que eles se reconhecem como seres humanos e tenham dignidade: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”! Era a forma de recuperar a vida e voltar ao convívio da comunidade. Enquanto caminham, ficam curados, “limpos”.

Nove deles só querem o reconhecimento das autoridades e voltar a viver. Somente um, o samaritano, retorna e agradece porque consegue ver Jesus como mediador da cura, reconhece n’Ele o Salvador: “Voltou louvando a Deus em alta voz e lançou-se por terra aos pés de Jesus, dando-lhe graças”. Todos os outros receberam a cura fisicamente, mas o samaritano vai além, recebe também o dom da fé e agradece a Deus.

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Todo relato bíblico deve nos levar à conversão, confrontar a própria vida com a revelação do amor de Deus e ser capaz de mudar, olhar o mundo e as pessoas com olhos diferentes. O Evangelho deste domingo nos questiona se somos capazes de agradecer. Recuperar a gratidão pode ser o primeiro passo para solidificar a nossa relação com Deus.

Como seria uma religião onde não aprendemos a agradecer; onde nosso relacionamento com Deus se restringe numa espécie de contrato: “Eu te ofereço minhas orações e tu me garante a proteção”? A experiência religiosa é fundamentalmente louvar e agradecer a Deus, reconhecendo que tudo o que Ele faz é gratuito, não existe cobrança ou algo que possa ser trocado.

O gesto do samaritano põe em relevo a ingratidão dos nove judeus, que parecem esquecer-se de deveres elementares ou não reconhecem a mediação de Jesus. A gratidão a Jesus pela salvação é componente essencial da vida cristã.

A salvação que ninguém pode alcançar, já foi dada a todos os dez homens. Mas só um tem a fé e encontra o Salvador. A salvação não consiste em ser curado pela lepra, mas encontrar a quem nos curou. A sede não acaba com um copo de água; é necessário encontrar a fonte. Ao dom deve corresponder nosso agradecimento ao doador. Somente a relação com Ele nos salva; seus dons são simples meios para nos colocar em comunicação com Ele. A salvação foi oferecida a todos, porém nem todos a acolheram. Muitos, nove sobre dez, não sabem que foram salvos, vivem e morrem como leprosos. São como um pássaro na gaiola, que não sabem que a porta está aberta.

O único que volta para agradecer é enviado para dar a boa notícia para todos: que se abram os olhos dos cegos e que vejam a luz! O anúncio leva a descobrir e aceitar o dom.

Finalmente fica o desafio de refletirmos se fazemos parte da “igreja dos nove” ou se somos capazes de voltar para agradecer e nos colocar aos pés do Filho de Deus e reconhecer nele o nosso Salvador. Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil, abençoai a nossa Diocese!

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