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Dom João Carlos Seneme

“O Senhor olhou para a humildade de sua serva”

Neste domingo (16) celebramos a festa da Assunção de Nossa Senhora. É a glorificação da vida de Maria que colocou a vida inteira a serviço de Deus e da humanidade: “O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome”.

A proclamação do dogma da Assunção foi uma maneira de revelar que a salvação de Maria foi absoluta e total, ou seja, ela alcançou a plenitude. Ao responder “faça-se em mim sua vontade”, Maria se tornou toda de Deus. Junto da Santíssima Trindade, ela se torna nossa eterna intercessora.

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O Evangelho nos apresenta o encontro de Maria com sua prima Isabel que, cheia do Espírito Santo, a saúda e chama de Mãe do Salvador. A resposta de Maria é exaltar o Senhor pelas maravilhas que está realizando em sua vida e na vida de todos. O Magnificat é o testamento espiritual de Maria a todos os seus filhos e filhas. Neste belíssimo canto, Maria revela o poder de Deus que inverte os valores e coloca os humildes e pobres em destaque. O projeto salvador de Deus é para toda a humanidade. Em Maria estão reunidos todos os povos que promovem a paz e se colocam a serviço de Deus.

A Igreja nos ensina que o discurso sobre Maria vai além do simples afeto, pois ele passa por Jesus Cristo. Ele é o ponto de referência: a mensagem de Maria exige de nós uma fé autêntica e amadurecida em Jesus Cristo. Somente Cristo revela o mistério de Deus: Ele é a imagem autêntica do Deus invisível. Só assim podemos entender o mistério que envolve Nossa Senhora, que diz: “Eu aceito participar deste projeto de salvação. Faça-se em mim segundo a Tua vontade”. Cristo será sempre Deus e Maria sempre criatura. Maria nos conduz a Cristo e Cristo nos conduz a Deus.

O dogma da Assunção de Nossa Senhora foi proclamado pelo papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950 e exprime o último dom que Cristo quer dar à Sua Mãe, como se quisesse agradecê-la por sua inteira disponibilidade em colaborar com Ele na obra da glorificação de Deus e na redenção da humanidade. O privilégio que é dado à Maria com a Assunção ao céu revela que Deus quer antecipar o que acontecerá com todos aqueles que creem em Jesus Cristo e o seguem de perto, procurando realizar aqui e agora o Reino de Deus.

A Assunção de Maria é uma festa que confirma nossa esperança cristã: existe salvação para a humanidade! A ressurreição nos é garantida em Jesus Cristo e antecipada em Maria pelo presente que Deus lhe concede. Este mistério nos recorda que estamos a caminho: estar junto de Deus é a esperança que nos move como filhos e filhas de Deus.

Neste dia da Assunção de Nossa Senhora aos céus, a Igreja no Brasil dedica o dia da vocação à vida religiosa consagrada. Uma vocação sublime no seio da Igreja. Por meio dela mulheres e homens são chamados a testemunhar o amor a Deus nos mais diversos serviços na Igreja em favor da humanidade. Maria é modelo para todos os cristãos, de modo particular daqueles que colocam o Ressuscitado no centro de suas vidas, de modo a segui-lo de perto na radicalidade de uma vida a serviço de Deus e dos pobres. Hoje, mais do que nunca, é uma vocação necessária para o mundo porque elas e eles sinalizam que existe este modo todo especial de viver a vida seguindo os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. Em um mundo tão marcado pelo hedonismo, egoísmo, vemos estes exemplos de vida e de doação.

Que Maria, Mãe da Igreja, acompanhe com sua proteção e carinho todas as religiosas e os religiosos de nossa diocese. Que os jovens se encantem com este estilo de vida e respondam afirmativamente ao convite de Deus.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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