Editorial

O tapa de luva que a China dá (sem querer) no Brasil

Não há quem não tenha se espantado com as notícias que vêm da China nos últimos dias. O coronavírus tem causado espanto na população mundial, mas é a rapidez com que o governo chinês está construindo dois hospitais talvez o que mais deixa os brasileiros boquiabertos.

Em 15 dias, eles prometem entregar dois hospitais novinhos, com 2,3 mil leitos ao todo, para tratar das pessoas que contraíram o vírus letal. Isso mesmo, 15 dias. As imagens de dezenas de máquinas pesadas trabalhando uma ao lado da outra parecem até ficção, coisa de Hollywood.

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Não é de hoje que os asiáticos demonstram, sem querer, o quanto o Brasil é um país atrasado. Em 2011, no Japão, uma rodovia destruída por um terremoto foi reconstruída em apenas seis dias. O poder de reação deles tem surpreendido todos ao redor do mundo, mas especialmente aqui no Brasil, onde a população historicamente convive com obras públicas que levam décadas para serem concluídas, quando são.

A rodovia transamazônica, que começou a ser construída em 1972 e ainda não foi concluída, parece ser um exemplo bastante razoável para que se compreenda o abismo entre aqui e lá. São quase 50 anos esperando uma bendita estrada.

É senso comum que a China tem trabalho escravo, que a população é pobre, que os produtos chineses são de qualidade duvidosa, mas esses mitos têm sido desintegrados a cada dia, um a um. É claro que a China tem seus problemas, como a pobreza e a própria questão sanitária, mas é uma potência que em dez anos ou menos vai ultrapassar os Estados Unidos e se tornar a maior economia do planeta. Aliás, isso explica muito a guerra comercial entre Washington e Pequim.

Hoje a China tem algumas das mais importantes e bilionárias empresas de tecnologia. Os produtos de excelente qualidade se espalharam por todos os lados. Possivelmente, seu smartphone é de lá. O desenvolvimento de inteligência artificial chinês é um dos mais robustos do planeta. As soluções tecnológicas que se encontram disponíveis em algumas cidades chinesas são igualmente de cair o queixo. O uso de drones para aplicar defensivos agrícolas não é novidade por lá. Aliás, são os próprios drones que avaliam a plantação, sugerem o momento ideal para aplicar os pesticidas e herbicidas, na dosagem e locais corretos, tudo com informação em tempo real, disponível no telefone do produtor. No distante ano de 2015, a China construiu o primeiro edifício, com cinco andares, feito em uma impressora 3 D.

Fato é que os chineses estão anos luz à frente do Brasil. Tamanha capacidade tem colocado a China como principal investidor mundial fora de suas fronteiras. No Brasil e no mundo, gigantes do agronegócio estão sendo arrematadas pelas vultuosas quantias que “brotam” do gigante asiático. Ferrovias, hidrovias, entre outros grandes projetos para o Brasil, estimulam o interesse dos investidores daquele país.

Ao Brasil, restam muitas lições, entre elas aprender com quem faz.

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