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Elio Migliorança

O tiro saiu pela culatra

A origem da expressão “o tiro saiu pela culatra” é incerta, mas é provável que tenha surgido no século XVIII, quando os mosquetes eram recarregados pelo cano. O processo envolvia primeiro a pólvora e depois a bala, e ao acionar o gatilho a espoleta provocava a explosão. Durante as guerras, dependendo do material colocado sobre a bala, o mesmo podia trancar o cano e o tiro sair pela culatra, parte da arma que é apoiada no ombro do atirador. Utilizamos esta expressão quando acontece algo que é o contrário do que se esperava, quando a intenção é uma, mas o resultado é o oposto do desejado.

Em tempos de coronavírus foi possível observar um fato angustiante: faltavam máscaras para os profissionais da saúde, então aviões foram para a China buscar estes e outros equipamentos de proteção. Parte dos respiradores mecânicos não funcionavam por falta de algumas peças, só fabricadas na China. Lá fomos nós de novo. Outros equipamentos vindos também da China foram confiscados quando o voo fez escala nos Estados Unidos. Em outro momento empresas chinesas cancelaram contratos que tinham com o Brasil e venderam o material a outros compradores que ofereceram mais. Aí começamos a nos questionar: afinal, por que tudo o que é mais sofisticado e técnico tem que vir da China?

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A resposta remonta aos anos de 1980, quando no Brasil o movimento sindical com sucessivas greves e gigantescas mobilizações conquistaram direitos, muitos jamais imaginados pelos trabalhadores. Foi injusto tudo o que se concedeu? Não! O trabalhador brasileiro vinha sendo explorado há séculos e era necessário, sim, melhorar o equilíbrio entre o capital e o trabalho. Mas como tudo o que é excessivo prejudica, muitas empresas se tornaram inviáveis. E começou um processo de transferência das empresas para países com legislação trabalhista mais flexível. E não somente empresas brasileiras, mas do mundo inteiro. A China tornou-se a fábrica do mundo, e no mesmo caminho está indo a Índia.

Quando em 2015 instalei um sistema de geração de energia fotovoltaica, as melhores placas no mercado eram as alemãs e as canadenses, ambas fabricadas na China. Quando estive no Alaska em 2015, todas as lembranças compradas naquele Estado americano traziam a etiqueta “made in China”, desde os produtos mais sofisticados até os mais simples souvenirs, nada era genuinamente alasquiano.

Sobre os vícios e excessos da legislação trabalhista, todos conhecemos inúmeros casos, onde o direito acaba se tornando uma injustiça contra quem deu emprego a alguém. Este talvez seja mais um dos aprendizados trazidos pela Covid-19. Tornar a legislação trabalhista e a tributária mais justas, de forma que se torne viável para as empresas produzirem, gerarem emprego e renda em terras brasileiras, é uma tarefa urgente.

O tiro saiu pela culatra. Com direitos demais, as empresas foram embora e sem elas os empregos sumiram. Com a palavra e a responsabilidade os nossos governantes que possuem o poder para modificar a legislação e com isso resgatar o que já nos pertencia: empresas produzindo e empregando gente, gerando recursos que melhorem a qualidade de vida da nossa gente. 

 

Elio Migliorança é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

 

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