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Dom João Carlos Seneme

O verdadeiro culto a Deus é um coração generoso

 

No Evangelho deste domingo estamos com Jesus em Jerusalém, ponto final de sua longa viagem. Ali ele será glorificado através de sua morte e ressurreição e revelará definitivamente o amor do Pai pela humanidade abrindo as portas do céu para todos aqueles que quiserem seguir seu caminho e ser seu discípulo.

O caminho de Jesus até Jerusalém foi também um itinerário catequético para os discípulos. Vários acontecimentos, milagres revelaram o contraste entre o jeito de ser de Deus e dos homens. Acompanhamos os discípulos brigando pelos primeiros lugares, buscando prestígio e bem-estar; Pedro querendo afastar Jesus de seu caminho de sacrifício e entrega; incompreensão, discussões com as autoridades religiosas. Ao mesmo tempo, vimos sinais de fé das pessoas que encontravam em Jesus a força necessária para mudarem de vida, serem ouvidos e curados de seus males. Principalmente aprendemos que para Deus entrar em nossas vidas é necessário esvaziar-se e dar espaço para Deus e seu Reino. Esse apelo continua muito atual hoje.

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Quem quer ser discípulo do Reino de Deus tem que superar dentro de si todo espírito de poder, ostentação, vaidade, privilégios, piedade hipócrita, exploração dos pobres. Hoje Jesus chama a atenção para o modo de comportar dos escribas (os intelectuais, letrados) da sua época: gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles exploram os mais pobres, aqui simbolizados pelas viúvas, modelo da pessoa desamparada, sem ninguém para defender seus direitos.

Jesus ensina seus discípulos e cada um de nós a não imitar este tipo de comportamento, pois o serviço generoso é a marca do verdadeiro discípulo de Jesus. Em seguida, Jesus, sentado junto ao cofre do templo, observa as pessoas que lá vão depositar sua oferta. Chama a sua atenção uma mulher, pobre e viúva, que deposita apenas algumas moedinhas. Este fato o comove e ele chama a atenção dos seus discípulos para ensinar que o exemplo dela deve ser seguido. Todos ofertavam o que sobrava e que não lhes faria falta, a pobre viúva, porém, ofertava a Deus tudo o que tinha, colocando em risco a própria vida.

O ensinamento de Jesus é simples e contundente: a viúva, na sua pobreza, e aos olhos de Deus, superou todos os ricos que ofertavam de sua abundância; sua entrega é maior e mais autêntica porque dá tudo de si. Enfim, Jesus revela que o Pai não nos julga pela quantidade de nossos dons, mas vê a generosidade de nosso coração. A atitude da viúva pobre é um modelo para todos os seguidores de Jesus: a verdadeira atitude de fé é confiar plenamente em Deus e não nos bens materiais que nos dão segurança e prestígio. O grande desafio é entregar tudo nas mãos de Deus e confiar plenamente no seu amor.

Tudo o que oferecemos – tempo, recursos, dons, atenção – deve ser feito como a oferta da viúva: completa, corajosa e com total confiança na graça.

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo
revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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