Editorial

O vírus que está parando o planeta

O termo infodemia é recente, usado para retratar uma pandemia de informações que circulam ao redor do coronavírus. Tão ou mais rápido que a disseminação do vírus ao redor do planeta é a disseminação de fotos, textos, vídeos, áudios e todos os tipos de conteúdo que enchem os aplicativos de mensagens. Notícia verdadeiras, notícias falsas e notícias mal apuradas se confundem a todo instante, mas essa mistura que confunde e atrapalha parece ter atingido o ápice com a chegada do novo coronavírus, causador da doença Covid-19.

Para muitos, trata-se de um exagero cometido pelas autoridades mundiais. Para outros, a coisa é mais séria do que se pensa. Para outra corrente, é só mais uma gripe. Tem os conspiradores, que acreditam que isso é uma estratégia de negócios criada pelos Estados Unidos ou pela própria China. Esse excesso de interpretações pode ter uma relação muito íntima com o excesso de informações que as pessoas consomem minuto a minuto.

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Se sim ou se não, fato é que o coronavírus está parando o mundo. A pandemia foi declarada. Escolas estão sendo fechadas, fábricas inteiras estão paradas, ruas estão desertas. Aliás, a Itália inteira, com seus 60 milhões de habitantes, está em quarentena. Os Estados Unidos barraram a entrada de viajantes vindos da Europa, assim como outros países já fizeram. Viajantes, aliás, cada vez mais raros. O número de viagens aéreas ao redor do mundo despencou violentamente. Grandes eventos esportivos, sociais, recreativos ou de negócios estão sendo cancelados.

O mercado financeiro está “derretendo”. O Produto Interno Bruto de várias nações não vai alcançar o desempenho projetado no início de 2020. No Brasil, a Covid-19 pode encolher a expectativa de crescimento em meio ponto percentual. As principais bolsas de valores de todo o mundo estão em queda livre, o dólar se valorizou agressivamente frente a várias moedas ao redor do mundo. Com o planeta em stand-by, o consumo de petróleo despencou, assim como o preço do barril.

No Brasil, lideranças acreditam que o número de casos vai aumentar agressivamente nas próximas semanas, assim como em vários outros países. Os protestos políticos marcados para este domingo, 15 de março, podem ser perigosos para uma disseminação mais robusta da doença, afinal nem todo mundo que tem o vírus tem os sintomas. Na China, onde tudo começou, a tendência é de queda nos números, segundo autoridades da saúde.

Essa não é a primeira e não será a última pandemia que a humanidade tem de enfrentar. Doenças respiratórias causadas por vírus são comuns para seres humanos e animais. E elas sempre mudam, porque o vírus está em constante mutação. A humanidade vai superar mais esse pequeno colapso. No entanto, na memória não consta um evento dessa natureza que tenha causado tamanho estrago e tenha mudado tão radicalmente a vida de centenas de milhões de pessoas. Isso sim é assustador.

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