Elio Migliorança

OS CORRUPTOS E AS GALINHAS

Na manhã de sábado (07), em Toledo/PR, estiveram reunidos representantes de um dos setores vitais da economia regional e que produzem uma das proteínas mais acessíveis à população. Acontecia a assembleia da Associação dos Avicultores do Oeste do Paraná, reunindo avicultores, empresas integradoras, sindicatos e autoridades. Em debate a avicultura, seus desafios, perspectivas de futuro e os principais problemas enfrentados pelo setor. Num determinado momento as galinhas foram misturadas com os corruptos da Operação Lava Jato, já que naquela manhã foram divulgados os primeiros nomes de políticos envolvidos conforme lista entregue ao Supremo Tribunal Federal. O que aqueles políticos tinham a ver com as nossas galinhas? Quando se debate custo de produção de aves, os ingredientes básicos são ração, água e energia elétrica, e ainda estávamos com o lombo doído pela cacetada no aumento de 36,7% sobre a energia, uma bomba que explodira sobre todos havia uma semana. Logo nos lembramos dos corruptos da Petrobras porque o combustível também está com o preço nas alturas, e isso aumenta o custo de produção na lavoura, de onde sai o milho que alimenta os galináceos e outros quadrúpedes também importantes na economia nacional. O tema combustível esteve no centro dos debates durante a greve dos caminhoneiros, eles os responsáveis pelo transporte de toda nossa produção. As empresas integradoras manifestaram sua preocupação, pois os impostos em constante alta fazem o setor viver um dos piores momentos deste século. Ironia do destino, o Estado do Paraná, que é o maior produtor de energia do Brasil, paga uma das energias mais caras do país, mostrando a injustiça na determinação do aumento de energia, pois o setor produtivo foi o maior penalizado. O debate condena a esperteza da classe política e do Judiciário na auto concessão de privilégios e benefícios, sempre em prejuízo de quem trabalha, produz e consome, pois lá no final todos vão pagar mais caro pela comida. O crédito se tornou uma armadilha, porque com a diminuição da renda começa a inadimplência. O governo detém o monopólio da venda de energia, mas é incompetente para fornecê-la sempre e com menos impostos, obrigando os avicultores a investir altas somas para instalar um gerador e evitar a morte das aves nas constantes quedas de energia. Na fala em defesa do setor, o prefeito de Toledo, sr. Beto Lunitti, sugeriu a elaboração de uma carta, subscrita pelas pessoas de bem deste país, exigindo o fim da reeleição que tem se revelado prejudicial ao país, que a corrupção seja classificada como crime hediondo e que o político delinquente seja banido da vida pública. Fez um apelo para que associações, igrejas, sindicatos, estudantes e todas as pessoas que querem o bem da sociedade abracem a ideia e nos unamos numa jornada cívica que estabeleça novas leis para passar o Brasil a limpo. O setor avícola corre sério risco de se tornar inviável e isso terá consequências desastrosas. Os filhos dos produtores rurais vão abandonar o campo, e muitas famílias, desalojadas do sistema produtivo, vão engrossar as periferias das cidades e tornar-se-ão novos dependentes das bolsas do governo. Nós somos o Brasil que produz, administrados pelos parasitas de Brasília, que estão matando a “galinha dos ovos de ouro”.

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

 

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