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Editorial

Para refletir

As recentes polêmicas envolvendo Portos Mendes e seu possível desmembramento de Marechal Cândido Rondon para ser anexado ao vizinho município de Mercedes revelaram um sentimento de desilusão que sente boa parte dos moradores dos distritos e suas vilas. Em Novo Horizonte, Novo Três Passos, Iguiporã, Bom Jardim, Porto Mendes, Margarida, São Roque e Bela Vista os moradores sentem-se, em grande parte, decepcionados com o que chama de falta de investimentos. Para eles – ou a maioria deles, entra administração, sai administração e seus distritos seguem, ao longo dos anos, sem o olhar que gostariam que destinassem a eles.

Os distritos de Marechal Cândido Rondon são de suma importância para a administração municipal e para o desenvolvimento econômico e social local. É neles que está boa parte da população. É neles também que está a ampla maioria das propriedades rurais, geradoras de riquezas e empregos no campo e também na cidade. A própria história de Marechal Cândido Rondon se funde a seus distritos.

Com a polêmica envolvendo Porto Mendes, vieram os debates. Alguns vereadores pretendem agora tentar balizar melhor essa equação, sugerindo que parte dos royalties seja usada nos próprios distritos. Uma ideia que pode e deve ser estudada com mais profundidade, que pode fazer justiça àqueles que sentem-se desconfortáveis e desassistidos. Se de fato essa gangorra está pendendo mais para a cidade, deixando em segundo ou terceiro planos os interesses da população dos distritos, isso tem que mudar.

Uma administração pública precisa fazer investimentos em todas as áreas, em todas as localidades. Óbvio que há prioridades, assim como não será possível, sempre, agradar a todos, em todas as localidades.

Se há moradores descontes, é importante que tanto os atores do Executivo como os do Legislativo olhem mais atentamente para essas comunidades.

Desmembrar ou não desmembrar Porto Mendes já não é mais a grande questão, ao menos no momento. Surge agora um oportuno momento para reflexão e debate sobre os investimentos feitos em todas as regiões do município, seja na cidade e seus bairros, seja nos distritos e suas vilas.

Um município bom de viver precisa mais que dividir recursos, precisa somar esforços. É a soma dos esforços de todas as pessoas, da cidade, da zona rural, que fazem de Marechal Cândido Rondon um lugar próspero e agradável para se viver. Se essa relação harmoniosa entre uns e outros for estremecida, esse status passa a ficar em risco. Vale o debate, a reflexão, vale a bronca dos que se consideram esquecidos, vale até criar novas leis, mas o que mais importa é que cada um possa, na plena unidade que ergueu a história de Rondon, ter um município inteiro para chamar de seu.

 

 

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