Copagril
Silvana Nardello Nasihgil

Pare de romantizar relações “meia boca”

 

Você conhece alguém, e na hora pensa: só pode ser coisa de Deus!!! Enviado(a) por Deus!!!

Carência batendo a mil, amor próprio despencado a cada dia. E você abre as portas da sua vida e convida a entrar. Sem muitos critérios, vai falando de você, tenta convencer de todo o jeito que você vale a pena. Caras e bocas, performances de toda a natureza para tentar impressionar. Esquece por completo que ali está um ser humano que, dentre qualidades, também tem defeito e que muitos deles podem tornar a relação de vocês insustentável.

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Espaço para se permitir conhecer o outro e da mesma forma permitir que ele lhe conheça de cara não faz parte do contexto.

Na ânsia de que a relação caminhe, vai-se cedendo aos desejos do outro, pega, beija, embrulha, desembrulha, e sem limites as coisas vão num modo automático, sem racionalidade e sem seriedade. Vai aceitando e até desculpando falhas, como se tudo seja passível de mudanças e a pessoa num toque de mágica venha a ser a ideal.

Então você já começa a sonhar, inclui desde o próximo encontro até o dia que subirá ao altar.

Bonito isso, bonito de verdade!!! Mas vale para quando existir uma relação sólida e quando os dois comungam do mesmo desejo e projetos.

A vida não pode continuar dentro de uma ansiedade construída muitas vezes unilateralmente, porque será muito provável que não consiga ir adiante de meras expectativas e fique no primeiro encontro ou alguns ocasionais.

Isso tende a acontecer na maioria das vezes quando se está buscando no outro a nossa felicidade. Isso torna as pessoas pequenas e dá a elas a impressão que só serão completas se tiverem um par.

Completude não tem nada a ver com ter um par, com ter alguém para chamar de seu/sua, porque esse outro se for inteiro jamais poderá emprestar uma metade para completar quem em pensamento deseja viver isso, e seja só metade.

É preciso entender que gente pela metade jamais se completará com uma outra metade, porque se assim for serão inteiros no corpo de qual dos dois? Um deles sempre ficará com faltas.

É preciso parar de banalizar sentimentos e relações e encarar com mais seriedade a vida.

É preciso escolher o que quer viver e dentro disso buscar os comportamentos adequados. Tem muita gente plantando cebola e desejando colher rosas.

Nesse processo todo está um ser humano que não se ama e não se valoriza, porque ninguém que sabe o seu valor aceita migalhas.

Precisamos parar de romantizar relações “meia boca” aceitando todo tipo de experiências por medo de ficar sozinho(a). Milhões de vezes melhor sozinho(a) do que ser objeto de alguém.

Pense nisso. Talvez algo se mova dentro de você e você descubra que está se amando muito pouco.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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