Elio Migliorança

PASSEIO PÚBLICO

O bloco dos candidatos está na rua. Futuros prefeitos e vereadores estão à caça de sua excelência, o eleitor. Em nenhum outro tempo o eleitor será paparicado como nos próximos 81 dias. Neste período ele será procurado, visitado, ouvido, elogiado e também enganado pela promessa de que na próxima gestão o paraíso vai acontecer. De minha parte, considero ser este o tempo oportuno para que os problemas sejam debatidos e soluções sejam apontadas pelos futuros administradores. Para dar o pontapé inicial, resolvi fazer uma experiência, comum para quem vive nas cidades. Caminhar no passeio público de três cidades da região. Segundo o dicionário, passeio público é a parte lateral das ruas destinada ao trânsito de pedestres, calçada. O resultado foi espantoso. As calçadas em geral são um atentado ao bom-senso e um perigo para os pedestres. Este espaço importante para a segurança do pedestre está parecido com a “farra do boi” ou com o samba do “crioulo doido”. Não existe um padrão para o tipo de calçamento a ser feito. A característica comum a todos os espaços visitados é a falta de respeito para com os pedestres. Sim, porque sendo público ele pertence a todos, e assim deve ser de uso comum sob organização do Poder Público municipal. Mas não é o que acontece na maioria dos casos.
Para muitos, a calçada é uma extensão de seu terreno. Há lugares onde é impossível passar. Fileiras de pingo de ouro ladeando a entrada do terreno, vão do meio-fio até o portão formando uma barreira intransponível. Em outros casos uma rampa de acesso à garagem, que começa em zero no meio-fio, tem meio metro de altura na entrada da garagem, formando um degrau crescente e um desafio para quem anda na calçada. Em vários lugares foram encontrados móveis velhos amontoados sobre o passeio, o que, além de feio, impediu totalmente a passagem. Outros fizeram lindas muretas com pedras pintadas, bonitas, mas para ultrapassá-las é preciso treinar salto a distância. Há também calçadas de terra invadidas por carrapichos, picões e espinhos formando uma barreira intransponível. Em outros lugares, montanhas de galhos, fruto do trabalho de alguém que, num ataque de limpeza e organização, resolveu podar árvores dentro do terreno e amontoá-las na calçada. Ruim porque impedem a passagem, estragam a paisagem e demonstram a desorganização do responsável pelo setor. Como normalmente o setor tem dias determinados para o recolhimento de galhos, ali ficarão às vezes por várias semanas. Quem dos candidatos terá coragem de abordar o assunto?
Mas é um tema estratégico na organização do espaço urbano, fere o direito de ir e vir dos pedestres e precisa ser resolvido. Já imaginou o drama de um cego andando em calçadas assim?
Mesmo com o risco de perder alguns votos, os futuros administradores precisam tomar uma posição, e os atuais prefeitos explicar porque deixaram a situação chegar a este ponto, afinal quem tem o poder tem a obrigação de fazer. Pedestre andando na rua por falta de calçada põe em risco a própria vida e atrapalha a vida dos motoristas. A falta de calçada põe o pedestre na rua que pode morrer atropelado. Quem responderá por uma vida que se perdeu?  

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