Brincando na Praça 2019
Dom João Carlos Seneme

Pedro, tu me amas. Apascenta as minhas ovelhas!

Tinha ficado para trás aquele dia em que alguns pescadores deixaram suas redes nas margens do Lago de Tiberíades e decidiram atender o chamado de Jesus atraídos pela palavra e pessoa. Neste domingo, no texto do Evangelho, as coisas tinham mudado, suas vidas e sentimentos eram diferentes. Em suas bocas sentiam o amargo da derrota, da dispersão após a morte de Jesus. O fracasso da morte na cruz  tinha sido muito forte e arrasador para eles que aguardam o triunfo do Messias a partir da concepção que traziam consigo. Retornaram, então, à vida de outrora, retomando o trabalho de pescadores. Ao menos estavam juntos e poderiam rever os acontecimento com calma e serenidade. Mas, tudo era muito difícil: sem a presença do mestre, uma noite dura de trabalho e com as redes vazias.

É neste contexto que Jesus aparece, mas eles não reconhecem que é Jesus. Contudo, obedecem a palavra do desconhecido e jogam a rede onde ele indicou e o resultado é uma rede cheia de peixes. “É o Senhor”! O toque teológico de São João ao relatar o fato diz tudo: era manhã e renascia de novo a esperança perdida.

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A pesca é sempre um símbolo da atividade apostólica, muitas vezes marcada por dificuldades, perseguições, aridez, rede vazia, desalento. O resultado da pesca realizada à noite, sem luz e sem Jesus é um grande fracasso. A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). No momento em que acolhem a palavra do Senhor, o resultado é outro. O evangelista quer afirmar que podemos colocar todas as nossas forças na tentativa de mudar o mundo; mas se Cristo não estiver presente, se não escutarmos a sua voz, se não ouvirmos as suas propostas, se não estivermos atentos à Palavra que Ele continuamente nos dirige, os nossos esforços não farão qualquer sentido e não terão qualquer êxito duradouro. É preciso ter a consciência nítida de que o êxito da missão cristã não depende do esforço humano, mas da presença viva do Senhor Jesus.

Em seguida, Jesus se dirige a Pedro para reforçar o seu papel na continuidade da obra de Jesus. Aquele que negou Jesus três vezes é agora convidado por três vezes a manifestar sua adesão a Jesus para receber a missão de pastor. As ovelhas e os cordeiros (todo o rebanho) são de Jesus, mas é Pedro que deverá apascentá-los.

De ora diante, Pedro deve representar na Igreja e para a Igreja a presença do Ressuscitado, daquele que deu a vida pelas ovelhas, que estava morte e agora vive. Pedro é aquele que torna visível o amor com que Jesus amou sua esposa. As ovelhas sentirão o quanto são amadas por Jesus através de Pedro.

A missão de Pedro continua em nosso Papa Francisco, que procura incessantemente recordar o amor de Jesus pela sua Igreja, de modo especial, pelos mais frágeis e nos convida a fazer o mesmo. Ele é o “vigário” de Cristo; sua função é deixar-se conduzir pelo Espírito Santo e unir todos os carismas e ministério na edificação do único corpo de Cristo. Pedro como Francisco continuam sendo homens frágeis como todo mundo. Jesus os chama e os envia como sinais do Reino de Deus a ser construído. Este é o estilo de Deus que realiza suas maravilhas através de pessoas comuns para nos comunicar que o poder vem dele e deve voltar para ele. Este é cuidado que deve acompanhar cada atividade que exercemos em nome da Igreja de Cristo como discípulos missionários.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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