Tarcísio Vanderlinde

Pela porta dos leões

Eli Rikovitz, comandante de um pelotão de reconhecimento durante a Guerra dos Seis Dias no ano de 1967, depôs em palavras contundentes o que é estar na vanguarda de um conflito bélico: “A natureza da guerra é a estupidez, e avançar sob fogo em veículos abertos deve ser o cúmulo dessa estupidez. Estou começando a aprender que, quanto mais você avança sob fogo, mais coisas perde. Primeiro, seu equipamento e suas roupas de dormir. Eles caem, são alvejados ou queimados. Depois, é a munição. Você a utiliza ou a entrega para o companheiro que está precisando. Você perde seus pertences. Perde a comunicação, perde a visão, perde a audição. Perde partes do próprio corpo. Perde seus homens. Perde a conexão com a realidade, perde sua compostura, perde sua sanidade”.

Vive-se uma época de conflitos espalhados por diversos lugares do planeta. Gaza volta a ser notícia. Analistas apontam também como iminente um novo conflito na tríplice fronteira de Israel com o Líbano e a Síria. O aparente controle do governo de Bashar al-Assad sobre o território sírio tem levado milícias a se voltar para a fronteira inconsolidada com Israel. É sintomática a divulgação de imagens de grupos armados da Síria tendo como cenário o monte Hermon, marco simbólico da tríplice fronteira, e que hoje se encontra sob controle de Israel. Pude visitar o lugar no ano de 2014.

A dramática (re)territorialização do Estado judeu no século XX é vista por muitos como o cumprimento de profecias bíblicas, mas nem todos concordam com isso. O processo completa 70 anos no mês de maio de 2018. A data será lembrada entre comemorações e protestos.

Decorrente da tragédia que se abateu sobre a população judaica da diáspora com ascensão do nazismo na Europa, cogitou-se inicialmente em demarcar uma área fora do Oriente Médio onde uma nova nação judaica pudesse florescer. Territórios na América do Sul e na África chegaram a ser cogitados. Acabou prevalecendo a decisão respaldada pela Organização das Nações Unidas (ONU) de que a (re)territorialização se processaria na região onde se acredita ter existido o Israel histórico.

Desde início não houve boa aceitabilidade por parte dos vizinhos sobre a decisão. Vieram guerras sangrentas com consequências dolorosas para ambos os lados. Procurando entender um pouco mais sobre esta dramática história, resolvi mergulhar nos fronts de uma das quatro principais guerras árabe-israelenses que ocorreram a partir da (re)fundação do Estado de Israel em meados do século XX. As guerras ocorreram em 1948, 1956, 1967 e 1973. Vieram ainda outros conflitos sangrentos depois.

Escolhi um livro entre mais de uma centena de títulos disponíveis sobre a “Guerra dos Seis Dias”. Apesar de não ser especialista em história das guerras, acredito que foi a mais importante das quatro que mencionei. Fiz a incursão através de um texto de 480 páginas de autoria do historiador Steven Pressfield nominado “A porta dos leões: nas linhas de frente da Guerra dos Seis Dias”. Entrei no palco da guerra através da leitura deste livro. Voltarei oportunamente ao assunto.

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