Copagril
Editorial

Pesadelo necessário

 

As consecutivas operações que o Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) tem feito em Marechal Cândido Rondon não saem da mídia, da boca do povo e das redes sociais. Supostos crimes praticados contra a administração pública, a partir de esquemas eventualmente bem pensados, jogam um banho de lama sobre o nome desse respeitado município em todo o Paraná e no Brasil.

Notícias sobre denúncias de desvios de recursos públicos ou coisas do gênero e prisões preventivas em vista disso ganham as manchetes e denigrem de alguma forma a cara da cidade amigável e boa de se viver que as pessoas que aqui moram construíram ao longo de sua história.

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Conhecida país afora por suas festas encantadoras, como a Oktoberfest e a Festa do Boi no Rolete, relacionada ao povo de origem alemã, terra do saudoso humorista Willmutt, mãe de quem nasce, generosa com quem chega, a cidade ultimamente tem ganhado o noticiário policial. Se as denúncias são verdadeiras ou não, não cabe ao povo julgar, mas, sim às autoridades competentes. Todavia é que quando se tem notícias dessa ordem, como a que tivemos na quarta-feira (15), em função da Operação Pula Pula desencadeada pelo Gaeco, é o mesmo que jogar poeira no ventilador, ela se espalha, e muito rápido.

Tem muito rondonense cabisbaixo pela cidade. A autoestima um dia já foi melhor. São muitos aqueles que estão não indignados, mas extremamente tristes com essas situações que estão ocorrendo no município. É uma situação desagradável. Traz dissabor, cria um clima ruim.

Mas se é verdade que não há nada tão ruim que não possa piorar, deve-se acreditar que não há nada tão ruim que não possa melhorar. Se de fato as investigações provarem as culpas, há de se fazer justiça com o povo de Marechal Cândido Rondon que trabalha duro no dia a dia para construir uma cidade próspera.

As operações podem causar certo desconforto, mas também, se os fatos forem comprovados, restauram moralidade ao ambiente político municipal. Ninguém pode ficar impune à corrupção, nem mesmo aqueles que aparentemente ajudaram a fazer dessa cidade o que ela é; um orgulho para o Oeste paranaense.

O Brasil clama por políticos sinceros, que produzam para o povo e não em causa própria, que saibam como usar o dinheiro público para atender as demandas – ou as principais – que as pessoas tanto bradam ao longo de décadas. A nova era é de gente transparente, que não aceita mais gato por lebre, que prefere o altruísmo à ganância, que troca a riqueza pelo bem-estar, que olha no olho de quem quer que seja sem esconder picaretagens, que busca relações amigáveis e duradouras, sem letrinhas miúdas no rodapé das páginas.

Se o povo quer um Brasil assim, que comece em cada um dos quintais, como parece estar acontecendo em Marechal Cândido Rondon. Um pesadelo necessário.

As investigações podem provar duas coisas: que as denúncias feitas não eram verdade ou ao contrário. De qualquer forma, esse processo todo sacode valendo a política de uma cidade. Inclusive, coloca nos trilhos aquele que, talvez algum dia, poderia pensar em sair dos trilhos. Então, indiferente do resultado que vai se chegar neste caso da Operação Pula Pula ou de outros recentes também envolvendo políticos locais, a sacudida vale a pena porque mostra que o Ministério Público está de olho (e muita gente também).

Para um Brasil melhor, é preciso municípios melhores. Não tornem a mocinha do Oeste uma vilã.

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