Arno Kunzler

Pesadelos e oportunidades

Vivemos uma pandemia, é verdade, mas a indefinição em relação à data das eleições deste ano está virando pesadelo para muitos pré-candidatos.

Não é por menos. Faz muita diferença a eleição ser no dia 04 de outubro ou no dia 15 de novembro, embora aparentemente não.

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Para quem está no auge agora a eventual postergação desta data é muito ruim.

Para quem hoje está sem nenhuma chance, a mudança para 15 de novembro representa uma esperança.

Mas, para ambos, a indefinição é uma loucura que impede qualquer tipo de planejamento.

Eleição é uma corrida contra o tempo. O candidato começa num ritmo e sabe que precisa acelerar no final, se quiser chegar com chance.

Sem saber quando, o candidato não sabe se começa acelerar ou se espera mais um pouco.

E as coligações?

Esse é o maior problema. Acertar tudo muito antes do prazo pode ser um tiro no pé.

Deixar de acertar apostando no adiamento também pode ser.

Pode-se dizer, então, que a eleição deste ano é a mais imprevisível de todos os tempos.

A mais complicada sob o ponto de vista de organização. E a mais difícil sob o ponto de vista de execução, já que não se sabe que tipo de movimento será permitido durante a campanha.

Se as coisas ficarem como estão, dar a mão para o eleitor pode ser considerada uma ofensa, dependendo do eleitor.

Não dar a mão também pode ser considerada uma ofensa pelo eleitor.

Visitar as casas dos eleitores, se a pandemia não estiver sob controle, pode propagar o vírus e gerar discussões e até processos.

A comunicação dos candidatos com seus eleitores, portanto, terá que ser praticamente apenas pelas redes sociais e pela imprensa.

A eleição pode até ser mais barata, mas será muito complexa e o comportamento do eleitor pode variar muito.

O que era bom nas eleições anteriores agora pode não ser aceito como normal.

Dois mil e vinte será mesmo um ano diferente, de experiências novas e resultados inimagináveis.

Um ano em que tudo mudou. Tudo que estava programado terá que ser revisto.

Mas, ao mesmo tempo que é um ano de muitos pesadelos, também será um ano de muitas oportunidades.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

 

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