Arno Kunzler

PLANO “ANTIQUEBRADEIRA”

O governo Dilma está elaborando um plano para socorrer as empresas durante a crise. Seria notável se a crise não tivesse sido fomentada e praticamente criada por dois governos petistas que jamais se preocuparam com o setor produtivo.

As empresas brasileiras estão em crise porque o próprio governo cobra cada vez mais caro para produzir, fazendo com que se tornem pouco competitivas.

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Senão vejamos:

1. O governo cobra uma das maiores cargas tributárias do mundo. Só que o cidadão precisa pagar escola, plano de saúde, pedágio e segurança, se quiser levar uma vida razoável e oferecer à sua família e seus filhos um pouco de segurança.

2. O governo não flexibiliza a mão de obra, assim, ou a empresa demite ou suporta o salário de antes da crise. Como a grande maioria das empresas vende menos, é obrigada a demitir parte dos seus funcionários.

3. Se pagamos caro para produzir, pagamos ainda mais caro para transportar, para exportar…

4. Além disso, a legislação, que sempre favorece os maus pagadores, cria uma série de embaraços para quem vende a prazo, risco eminente de que parte dos recebíveis se perde.

5. Ao invés de baratear o crédito para o setor produtivo, o governo costuma baratear o crédito para os consumidores em épocas eleitorais. Crédito barato e com o setor produtivo em crise, os consumidores apelam para comprar fora do país.

6. Com a explosão do dólar, alguns poucos exportadores conseguiram um alívio. Porém, todos que devem em dólar mergulharam numa profunda e injusta crise.

7. Todos os serviços prestados pelo governo são caros demais e têm qualidade de menos.

Logo, é justo criar um plano “antiquebradeira”, mas seria bom o governo explicar de onde pretende tirar dinheiro para socorrer as empresas que estão quebrando?

Não é justo que os recursos que deveriam ser investidos em educação, saúde, estradas, segurança e, principalmente, para financiar a casa própria sejam destinados a empresários de forma direcionada e desonesta, como foram os recursos com juros subsidiados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Assim, alguns vão se livrar da quebradeira com dinheiro do povo e a ampla maioria vai passar os próximos dez anos para se recuperar dos prejuízos que teve que arcar sozinho, sem apoio e sem financiamento subsidiado.

Se é para manter o setor produtivo competitivo, empregando e gerando impostos, que seja um plano amplo e de acesso facilitado para todos.

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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