2º Agita Rondon – 2019
Editorial

Pode correr, mas a polícia vem aí

 

A festa foi grande ontem (21) em todo o território brasileiro. A prisão do ex-presidente Michel Temer, acusado de ser líder uma organização criminosa que atua e destrói os cofres públicos há pelo menos 40 anos, soou como música para os ouvidos da classe indignada com a corrupção no país. Há quem comemorou mais que a vitória do seu time, teve aquele que fez festa nas redes sociais, outros tantos compartilharam memes alertando a ex-presidente Dilma Rousseff e aguardando uma decisão do mais odiado ministro brasileiro, Gilmar Mendes.

É o segundo ex-presidente brasileiro preso, o que evoca à sociedade duas questões: a corrupção é uma praga no Brasil e a Justiça, como nunca antes, está alcançando os grandalhões de colarinho branco. As falcatruas do engomadinho setentão e seus comparsas do crime, segundo as investigações, causaram um prejuízo estimado em R$ 1,8 bilhão. Não milhão, bilhão! Só essa turma.

Casa do Eletricista PISCINAS

Mas não são somente ex-presidentes os grandes bandidos da vez. O Rio de Janeiro, coitado, perdeu as contas de quantos ex-governadores estão atrás das grades. O xilindró é também a nova morada do ex-governador do Paraná, Beto Richa, que já foi solto duas vezes pelo “famoso” Gilmar Mendes. Aliás, o paranaense e outros tantos por todo o Brasil estão tão envolvidos em processos que já está acabando a tinta da caneta no Supremo Tribunal Federal (STF). Tem é que prender o Gilmar, se não é enxugar gelo.

A Lava Jato, que acaba de comemorar cinco anos, está escrevendo um novo capítulo de uma nova independência do Brasil. Que Temer e seus crimes apodreçam na cadeia, assim como todos aqueles que estão na mira da Justiça e tiverem suas maracutaias descobertas, julgadas e condenadas. A Justiça não pode ter piedade de pessoas que são confiadas a conduzir a nação, mas o fazem apenas para satisfazer os próprios desejos alicerçados no poder e no dinheiro.

Aqueles que tiraram os remédios dos postos são os mesmos que mataram pela falta de saúde. Aqueles que não colocaram a viatura na rua são os mesmos que mataram o pobre. Aqueles que desvalorizaram os professores são responsáveis pelo jovem que abandona os estudos. Praticaram crimes que atingiram não apenas uma pessoa, uma família, mas uma nação inteira, de mais de 200 milhões de pessoas, formada na ampla maioria por gente trabalhadora e honesta.

Um a um, os castelos dos maiores ladrões do Brasil vão ruindo, aos poucos. Tudo o que está acontecendo descortina o gigantesco cenário que a corrupção toma no Brasil. Os últimos cinco anos revelaram ao mundo que o Brasil é o país do jeitinho, onde tudo e todos têm seu preço. Mas não é bem assim. O que acontece mostra o poder de reação que até pouco tempo atrás não havia na polícia e na Justiça.

A lei parece estar começando a atingir também aqueles que a maioria da população não acreditava que atingiria. Sejam grandes nomes da política (o que é diferente de grandes políticos), sejam os maiores empresários do Brasil, eles estão cercados. Senhores bandidos, esse não é mais o país da comédia. Quem será o próximo? Pode correr, mas a polícia vem aí.

 

TOPO