Editorial

Polêmicas e mais polêmicas

 

Em todas as Câmaras de Vereadores Brasil afora vez ou outra há alguma polêmica, ou várias polêmicas. Na de Marechal Cândido Rondon, todavia, as polêmicas não param. É uma atrás da outra.

Desde o início do mandato, com pontuais pausas, sempre há uma situação ou outra em evidência, cercada de polêmicas. Não à toa, essa legislatura vem dando o que falar. Por sinal, já entrou para a história por uma série de particularidades.

O mandato dos vereadores já começou polêmico, com a eleição de Pedro Rauber (DEM) para a presidência do Legislativo, em 1º de janeiro de 2017. Por ser o pai do prefeito Marcio Rauber (DEM), a condução do democrata para comandar a mesa diretiva da Casa de Leis desagradou a oposição e causou muitas discussões.

Passado um tempo, a oposição, que até então era minoria, se juntou a um grupo de vereadores que estavam na situação e formou o chamado G8 – agora G7 com a possível saída do vereador Cleiton Freitag (Gordinho do Suco) (DEM). Essa reviravolta, que levou o vereador Claudio Köhler (PP) à presidência da Câmara, mexeu muito com o cenário político local.

E assim como 2018 terminou agitado, 2019 começou com tudo. Mal os trabalhos legislativos reiniciaram e a prisão de Adelar Neumann (DEM) no começo de fevereiro deu novamente o que falar. Ele, que ficou preso por quase dois meses, é acusado de receber parte do salário de um servidor que havia indicado para ocupar cargo em comissão na prefeitura. O fato de ter retornado à Casa de Leis, na semana passada, usando tornozeleira eletrônica gerou o maior ti ti ti na comunidade.

Em meio a esse tempo da prisão de Adelar, Nilson Hachmann (PSC) foi denunciado acusado de utilizar empresas jurídicas em nome de terceiros, mas que seriam de propriedade dele, para participar de processos licitatórios e fazer venda direta à prefeitura.

Nilson, por sua vez, denunciou Josoé Pedralli (MDB), acusando-o de ter recebido, de maneira indevida, pagamentos da prefeitura.

Soma-se a isso o outro fato que fez esta semana começar em polvorosa: a denúncia protocolada na Câmara, ontem (08), a qual pede a cassação do mandato de Dorivaldo Kist (Neco) (MDB) por suposto ato semelhante ao de Adelar: cobrar “mensalinho” de uma servidora que havia indicado para ser nomeada em cargo em comissão.

Agora, essas denúncias, podem culminar com a cassação de seus mandatos.

Com a leitura e votação da admissibilidade dos procedimentos para apurar quebra de decoro parlamentar por parte destes vereadores, na noite de ontem, apenas três casos foram aceitos: de Nilson, de Adelar e de Neco (o de Pedralli foi rejeitado). Os três, agora, passarão por processo disciplinar pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar e terão prazo de dez dias para apresentar defesa. Depois há um prazo para a apuração e relatoria, que deve ser concluído no máximo em 90 dias, até o veredicto final.

Até lá, não resta dúvida que haverá outras sessões tensas e turbulentas e muito auê nos bastidores da política local.

Ah, não se pode esquecer do projeto apresentado na semana passada que também gerou o maior bafafá entre os moradores, principalmente em grupos de WhatsApp e até mesmo em redes sociais, onde as discussões foram acaloradas. Um grupo de vereadores deseja incluir no regimento o uso do bafômetro na Câmara para em caso de algum colega apresentar sinais de embriaguez ser convocado a usar o equipamento. Nem todo mundo entendeu, mas teve gente que aplaudiu a iniciativa, a qual teve bastante repercussão na comunidade.

Diante de tantos fatos, aquilo que era polêmica lá no início da legislatura se tornou “fichinha” diante da gravidade das denúncias atuais. Uma coisa são as intrigas de oposição e situação, outra coisa são as acusações de “peso” envolvendo vereadores.

Talvez por isso o que mais se ouve da boca dos rondonenses nos últimos tempos é a palavra vergonha.

Muitas pessoas têm dito aos quatro cantos que se sentem decepcionadas com o cenário legislativo atual; entendem que todo esse contexto mancha, de alguma forma, a imagem da Câmara, uma instituição de extrema importância para Marechal Rondon.

Outras dizem ser um absurdo ter representante do povo frequentando as sessões usando tornozeleira eletrônica.

Algumas acham o fim da picada a troca de denúncias sem-fim entre vereadores e afirmam que a Câmara parece mais um ringue de lutas de questões pessoais do um palco para discussões pontuais relativas ao município.

Muitas destacam ser o cúmulo apresentar projetos prevendo o uso de bafômetro, se necessário, pois não conseguem imaginar que algum vereador tenha coragem de ir alcoolizado às sessões; com isso, reclamam, perde-se tempo e foco, que deveriam ser voltados àquilo que é melhor para o município.

Outras não conseguem entender representantes do povo sendo acusados de atitudes corruptas, que fogem do discurso que usam na hora de pedir votos e do perfil esperado pela população para aqueles que são eleitos para representá-la.

Mas, é assim. As polêmicas estão aí e muitas outras virão, com toda certeza.

Resta aguardar os próximos capítulos.

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