Silvana Nardello Nasihgil

Por falar em saudades, onde anda você?

Hoje, mais do que nunca, a gente sabe o sentido real da saudade. Hoje a gente revive de forma doída as lembranças do último abraço, do último beijo, e vive a incerteza de não poder sequer imaginar quando isso poderá acontecer novamente. Estamos contando os dias, sem saber quantos dias faltam, ou quantos meses para que a gente possa novamente ser livre para transformar as palavras em atitudes e poder transbordar os sentimentos.

São saudades de todo tipo, de toda intensidade, permeadas por inseguranças, incertezas e medos. Saudades dos pais, filhos, colegas, amores, amigos, saudades daquilo que foi bom, que nos fez feliz e que hoje não é possível reviver do jeito que a gente vivia.

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Estamos separados pelas contingências, vivendo uma experiência sequer imaginada, e agora a gente relembra tudo o que não fez e poderia ter feito, quando, por comodismo, trocamos a presença física por palavras digitadas, e acreditávamos estar sendo honestos com os nossos sentimentos.

Agora, a gente precisa aproveitar esse lampejo, que, mesmo em um momento tão dramático, iluminou o nosso existir, nos fazendo ver a importância de uma vida mais dedicada e comprometida com quem amamos.

Seria prudente buscarmos ser mais leais com os nossos sentimentos, transformando-os em atitudes, buscando colocá-los como prioridade para que não se percam mais as oportunidades de exercitar o amor.

Precisou tudo travar e sermos impedidos de nos tocarmos para que pudéssemos experimentar a horrível sensação de amar as pessoas sem poder senti-las fisicamente, passando a descrever os sentimentos sem poder praticá-los.

Precisou que o mundo paralisasse para que a gente tivesse tempo de olharmos uns para os outros e nos questionarmos por onde estivemos andando quando o amor estava tão próximo de nós e a gente simplesmente não enxergou.

Que tudo isso nos sirva de ensinamento, de que o amor, além de sentido, precisa ser dito e colocado em prática, porque nada no mundo supera a força dos beijos e abraços trocados entre os que se amam.

Que a gente nunca mais precise viver isso outra vez para compreender que tudo precisa ser vivido no tempo presente.

E o coração segue apertado, muitas vezes derramando pelos olhos o que não cabe no peito. Mas uma certeza nos enche de esperanças: cada dia que passa é um dia mais próximo do momento do reencontro.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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