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Dom João Carlos Seneme

“Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”

O Evangelho deste domingo (20) narra o episódio da tempestade acalmada, segundo o evangelista São Marcos. Uma noite, após um dia de intenso trabalho, Jesus entra em um barco e manda os apóstolos irem para a outra margem. Exausto, adormece no barco. Enquanto isso, surge uma tempestade muito forte com ondas que enchem o barco de água. Muito preocupados e com medo, os apóstolos acordam Jesus, dizendo-lhe: “Mestre, estamos morrendo e tu não te importas?”. Jesus desperta e ordena ao mar que se acalme: “Silêncio! Cala-te”. O vento cessou e houve uma grande calmaria. Então, Jesus disse aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”.

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A travessia do Mar da Galileia indica a travessia da vida. O mar é minha família, minha comunidade, meu próprio coração. Mares pequenos, mas que podem desencadear grandes e repentinas tempestades. Todos nós já passamos por alguma tempestade, quando tudo escurecia e o barco da nossa vida começava a dar sinais que estava afundando: uma doença anunciada, a pandemia que nos assola, um revés financeiro: tudo isso é sinal de estamos em plena tempestade. O que fazer? Onde vamos nos apoiar; de que lado lançar a âncora? Jesus não nos dá uma receita mágica de como evitar todas as tempestades da vida. Ele não prometeu que estaríamos livres de dificuldades. Ele nos prometeu a força para superá-la, se pedirmos a ele. “Eis que estarei convosco todos os dias”.

São Paulo nos fala de um grave problema que teve de enfrentar em sua vida e que chamava “o meu espinho na carne”. Infinitas vezes, ele diz, eu pedi ao Senhor para me livrar dele e finalmente o Senhor me respondeu: “Basta-te minha graça; a força se realiza na fraqueza”. A partir desse dia, Paulo passou até a gabar-se das suas enfermidades, perseguições e angústias, tanto que podia dizer: “Pois, quando sou fraco, então sou forte” (2Cor 12,7-10).

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Confie em Deus: esta é a mensagem do Evangelho. Naquele dia, o que salvou os discípulos do naufrágio foi o fato de “terem levado Jesus no barco” antes de iniciar a travessia. Esta é também para nós a melhor garantia contra as tempestades da vida. Ter Jesus conosco. O meio para manter Jesus no barco da vida e da família é a fé, a oração e a observância dos mandamentos.

São Pedro exortava os primeiros cristãos a confiarem em Deus nas perseguições, dizendo: “Lança nele todas as tuas preocupações, porque ele cuida de ti” (1Pd 5,7). A falta de fé que Jesus censurou aos apóstolos naquela ocasião consiste precisamente no fato de eles questionarem se ele “se preocupava” com eles e sua segurança: “Não te importas que morramos?”.

Deus “se preocupa” conosco, e como! Um homem teve um sonho. Ele viu dois pares de pegadas que estavam impressas na areia do deserto e entendeu que um par eram as pegadas de seus pés e o outro dos pés de Jesus que caminhava ao lado dele. A certa altura, o segundo par de passos desaparece e ele percebe que isso está acontecendo justamente em um momento difícil de sua vida. Então, ele reclama com Cristo que o deixou sozinho no momento da provação. – “Mas eu estava contigo!”, responde Jesus. – “Como estavas comigo, se só havia duas pegadas na areia”? – “Eram meus”, responde Jesus. “Naqueles momentos eu te carreguei nos ombros!”.

Lembremo-nos disso quando vem a tentação de reclamar ao Senhor porque Ele nos deixou sozinhos com nossos problemas.

Jesus revela sua identidade divina ao controlar o mar. Ele chama a atenção dos discípulos sobre a falta de fé e confiança em Deus. Este fato revela que a fé precisa ser amadurecida com os acontecimentos da vida. Os discípulos aprenderão a confiar à medida que permanecem com Jesus.

É o que pedimos hoje: “Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé”. Somente através da fé poderemos superar as tempestades que nos assolam.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

 

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