Arno Kunzler

Por que sou contra as reeleições

A piora espetacular das relações políticas no Brasil aconteceu justamente com o advento da reeleição dos prefeitos, governadores e presidente da República no início da década de 90.

O primeiro mandato é feito com os olhos voltados para a reeleição. Assim, compra-se aliados, arranja-se dinheiro de qualquer jeito para campanhas bilionárias e faz-se político o tempo inteiro, ao invés de administrar.

Foi assim com FHC, Lula e Dilma. É assim com os governadores e os prefeitos.

Mas também estou convencido que as reeleições para o Legislativo são tão ruins, embora potencialmente com efeito menor, quanto as reeleições no Executivo.

Poder-se-ia até limitar em uma ou duas reeleições, se fosse o caso, mas nunca serem infinitas.

Os nossos senadores, deputados e vereadores não votam nada polêmico e muito menos algo que contraria grupos organizados.

No Congresso Nacional nossos representantes são de uma generosidade com o dinheiro público, que até parecem a Madre Tereza.

Quem analisa a maioria dos projetos aprovados pelo nosso Congresso percebe logo que os representantes do povo são demagogos, irresponsáveis, e com os olhos voltados para a próxima eleição, jamais para a próxima geração.

Os prefeitos que se “explodam”, com as contas que eles criam, obrigando os municípios a assumir responsabilidades, sem dinheiro para tal.

A pressão dos grupos organizados então vira uma festa…

Estamos quase gastando todo o orçamento do governo federal, dos estaduais e municipais em despesas correntes, folha, encargos e outras responsabilidades rotineiras.

Nos municípios não sobra mais dinheiro para aplicar em obras ou investimentos que gerem progresso.

Muitos concursos públicos são para funções que podem ser temporárias, mas os servidores, uma vez aprovados e contratados, ficam para sempre, até a morte…

Alguns municípios com gestores responsáveis durante algumas décadas ainda conseguem se mover diante desse quadro. Mas, convenhamos, gestores responsáveis durante décadas… talvez tenham existido em pouquíssimos municípios, a grande maioria ou teve gestores extremamente irresponsáveis, ou extremamente incompetentes ou extremamente coniventes com manobras para encobrir seus negócios obscuros.

Assim, podemos contar nos dedos das mãos os municípios que não precisam fazer grande esforço para sobrar alguma coisinha que seja, para investimentos. E isso tudo chegou nesse ponto por uma simples razão: AS REELEIÇÕES.

Os políticos até chegam ao poder pensando em fazer as coisas corretamente, enxergam os problemas corretamente, mas não conseguem agir, não conseguem evitar a sangria e, aí, muitos se aliam aos sanguinários do erário público e fazem isso que estamos vendo todos os dias.

Ou acabamos com as reeleições e criamos novas regras para as eleições, desde a eleição de um presidente de partido político até o presidente da República, ou vamos continuar vendo a política arruinar nossas vidas, para desgosto e desespero dos brasileiros.

 

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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