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Editorial

Pouco a comemorar

Cerca de 14 milhões de brasileiros têm pouco ou nada a comemorar nesse Dia do Trabalhador, lembrado hoje, 1º de maio. É que eles fazem parte do grupo que está na fila do emprego. São trabalhadores, mas estão desempregados. A crise econômica que afetou – e afeta – o Brasil gerou um déficit nas vagas de trabalho nunca visto antes na história recente do país.

Quem está trabalhando, certamente vai ter que trabalhar mais com as novas regras para o cidadão brasileiro ter acesso à aposentadoria. E quase tudo que se ganha na vida vai no ralo da carga tributária. Em média, os trabalhadores brasileiros trabalham cinco meses no ano só para pagar impostos. É uma das mais altas cargas tributárias do mundo, sem a devida retribuição dos governos em obras e ações que promovam o bem-estar social.

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Ainda tem muita gente ganhando pouco e poucos trabalhadores ganhando muito. De maneira geral, a renda per capita do brasileiro é baixa, o que reflete em um consumo baixo de produtos e serviços, típico de países em desenvolvimento.

Também há na conta negativa, que deixa o bolo de velas apagadas do dia de hoje ainda mais indigesto, o trabalho escravo ou análogo a isso ainda presente no Brasil. Tem também o trabalho infantil, a exploração da prostituição, entre outros infortúnios que permeiam o mercado de trabalho do país.

Como se observa, há pouco o que comemorar. O Brasil precisa desenvolver a relação de trabalho, melhorando os níveis de escolaridade de seus profissionais, preparando para um futuro em que grande parte dos atuais empregos serão substituídos por novos. O Brasil precisa qualificar melhor seus profissionais, pois as atividades manuais e que exigem pouca capacidade intelectual para serem executadas desaparecerão completamente em um futuro breve.

Mesmo com todas as dificuldades, aqueles que hoje possuem a carteira de trabalho assinada podem celebrar. Manter o emprego hoje em dia já pode ser considerada uma vitória. As empresas encolheram ou até desapareceram, as oportunidades diminuíram e com isso as demissões foram inevitáveis. A atividade econômica foi duramente afetada. Para o Brasil voltar aos patamares de empregabilidade que detinha antes da crise, especialistas acreditam que vá demorar vários anos.

Nesse 1º de maio de 2018, mais do que comemorar, é preciso pedir. Pedir emprego para o pai de família que não consegue colocar comida em casa, pedir uma oportunidade para que o jovem não seja obrigado a abandonar seus estudos porque não tem mais como pagar, pedir uma vaga para aquele senhor mais velho, para aquela senhora demitida depois de trabalhar 30 anos na mesma empresa.

É muito importante nessa vida sempre agradecer as oportunidades que ela dá a cada um, mas hoje o sentimento é de desejo além da gratidão. Desejo que o trabalhador brasileiro seja mais valorizado, pague menos impostos e, especialmente, tenha uma vaga de trabalho, um serviço, um emprego. No mais, parabéns a todos os trabalhadores brasileiros.

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