Copagril
Editorial

Pra que e a que preço?

 

O presidente Jair Bolsonaro está tentando a todo custo ser um aliado dos Estados Unidos e seus simpatizantes, sem se dar conta de que seu tiro pode sair pela culatra. Os motivos são mais do que óbvios. Ao se aliar aos Estados Unidos, o Brasil ganha quase nada, sem contar que brasileiros e estadunidenses, por exemplo, são competidores no gigantesco mercado chinês. A China compra soja, milho e proteínas animais de ambos os países. Agora, demonstra apoio a Israel, com o anúncio da criação de um escritório de negócios em Jerusalém durante a visita que fez ao Oriente Médio, o que desagradou profundamente palestinos e a comunidade muçulmana. Muçulmanos, aliás, que consomem grande parte do frango e da carne bovina brasileira.

As exportações agropecuárias brasileiras têm mantido o superávit da balança comercial nos últimos anos. Se esse setor começar a ter dificuldades para acessar mercados por conta das políticas empregadas pelo governo brasileiro, um caos sem precedentes vai invadir propriedades rurais e indústrias alimentícias, incluindo as grandes cooperativas que alicerçam a economia do Oeste do Paraná. Algumas trapalhadas nesse campo podem gerar prejuízos astronômicos, desemprego generalizado nas fábricas e negócios afins, além de êxodo rural e aumento da violência.

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Por falar em violência, o Brasil é um país livre de ataques terroristas porque historicamente tem se mantido neutro nas questões do Oriente Médio. Apoiar esse ou aquele lado pode criar antipatia de grupos terroristas, que veriam o Brasil como um novo alvo a ser atingido com suas brutalidades que já acometem várias nações, muitas das quais aliadas aos estadunidenses. Seria o ponto alto de uma tremenda burrada que parece estar se desenhando na política internacional.

Não há motivos muito claros para que o Brasil se aproxime de algumas nações e se afaste de outras. A China, maior parceira comercial dos brasileiros, pode causar um problema ao agronegócio se Pequim não gostar dessa aproximação, promovida muito por Bolsonaro e pouco por Donald Trump. Tem ainda a Rússia, grande compradora da carne suína brasileira e que pode enrijecer o mercado de uma hora para outra, no estilo russo. E ainda a Argentina, que certamente entortou o bico, já que Bolsonaro negociou a compra de 750 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos, diminuindo as exportações dos hermanos para os tupiniquins.

Certamente Jair Bolsonaro está se equivocando nesses primeiros três meses de governo, transformando o campo agropecuário em um mar de incertezas e medo. O setor agropecuário, que tanto se mobilizou para eleger o “Mito”, se vê aterrorizado com as ações que o presidente tem tomado. Suas mudanças e alianças bagunçaram um setor da mais alta relevância, gerador de empregos e renda às famílias, gerador de impostos, produtor de alimentos que abastecem o Brasil e o mundo. Até agora Bolsonaro só deu tiro no pé do produtor rural. O cenário está mais cinza do que o maior pessimista poderia imaginar. Onde ele quer chegar? E o pior: a que preço?

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