Copagril
Arno Kunzler

Pra que serviram?

As manifestações de março já serviram para alguma coisa. Não aquilo que os manifestantes queriam. O combustível não baixou, o número de ministérios continua o mesmo, a presidente continua no poder, os impostos continuam sendo majorados, o trabalho penalizado, a especulação liberada e estimulada pelo próprio governo, os serviços públicos continuam péssimos, quando não inexistentes, e, o pior, a corrupção continua sendo “combatida” da mesma maneira.

Mas pelas mobilizações lá no Planalto se percebe o quanto as manifestações já surtiram efeito.

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Primeiro, o PMDB agora vai assumir sua parte no governo. Michel Temer será o articulador político e, pasmem, qual foi a primeira ordem dada por Dilma Rousseff?

Distribuir logo os cargos aos aliados… isso mesmo!

O governo reage às manifestações das ruas com farta e generosa distribuição de cargos aos aliados que, esses sim, saíram valorizados no processo.

O principal aliado que durante algumas semanas ameaçou ser oposição agora vai ganhar o que queria: cargos… cargos e mais cargos…

É assim! Para quem está chegando e vê isso pela primeira vez se assusta um pouco.

Mas, para quem já está acostumado com o nosso famigerado processo político, isso já é normal e nem é privilégio deste governo.

E confesso até que o lado bom da presidente Dilma, talvez a parte boa do governo, era sua intransigência com a barganha política dos aliados. Agora não, agora entregou a chave e o cofre.

O governo está inclinado a ceder, e vai ceder. Não tem outra alternativa, ou cede ou cai, pelas mãos de quem o elegeu, o próprio PMDB.

Logo, o PT, que sempre foi tão combativo na oposição, está entregue… está na lona.

O lado bom é que muitas reformas necessárias e importantes para o Brasil podem andar.

Se quiserem, é provável que não queiram, mas se quiserem, irão conseguir as mudanças que o povo pede.

O fim das reeleições, uma lei menos branda para os corruptos, uma reforma do Judiciário que faça os culpados e julgados serem punidos, uma reforma política que se não acaba, pelo menos diminui as negociatas desse universo de partidos nanicos, o fim dos privilégios a grupos que se articulam para receber benesses do governo, o fim das coligações para eleições proporcionais e, por fim, um maior controle dos gastos públicos para evitar que a cada novo mandato o governante precise aumentar os impostos para cobrir o rombo que ficou.

Difícil imaginar isso dos políticos, desses que se elegeram e se elegem há muito tempo sob uma legislação incompatível com a realidade.

Os vícios são tantos, os interesses são tão estranhos, o modus operandi tão obscuro, que o mundo deles não é o mundo da gente.

Individualmente os políticos são pessoas normais, gente comum que um dia se elegeu e recebeu a confiança de todos. Mas em grupo, de preferência em reuniões fechadas de bancadas e lideranças, eles agem e pensam diferente.

Não fosse assim, o Brasil certamente seria diferente.

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

 

arno@opresente.com.br

 

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